Brasília, 30 jan. 2026 — Os Correios voltarão a receber, na primeira semana de fevereiro, adesões ao Plano de Desligamento Voluntário (PDV). O período de inscrições ficará aberto até 31 de março, e os desligamentos devem ser efetivados até o fim de maio. A estatal projeta que até 15 mil empregados participem do programa entre 2026 e 2027, resultando numa economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões a partir de 2028.
Regras e critérios de elegibilidade
O PDV 2026 mantém o incentivo financeiro adotado no plano anterior, de 2025, mas apresenta mudanças relevantes. A principal novidade é o fim da idade mínima de 55 anos, exigida na edição passada. Agora, qualquer empregado pode solicitar a saída desde que cumpra três condições:
• ter no mínimo dez anos de vínculo com a empresa;
• ter recebido remuneração por, pelo menos, 36 dos últimos 60 meses;
• não completar 75 anos até a data do desligamento.
Além disso, os trabalhadores que aderirem e seus dependentes poderão migrar para o Plano de Saúde Família, com mensalidades mais baixas e cobertura restrita à região de residência. O objetivo é oferecer manutenção de assistência médica sem comprometer o ajuste financeiro.
Estratégia de reestruturação e metas financeiras
O PDV 2026 integra a Fase 1 do Plano de Reestruturação económico-financeiro definido para o triênio 2025-2027. A iniciativa busca equilibrar as contas da estatal, que hoje emprega mais de 82 mil servidores próprios e mantém cerca de 10 mil terceirizados.
Em dezembro, a empresa captou R$ 12 bilhões em linhas de crédito para sustentar as ações de reestruturação. Entre as medidas previstas estão:
• redução de até R$ 5 bilhões nas despesas totais até 2028;
• fechamento de mil agências consideradas deficitárias;
• venda de imóveis ociosos para gerar receita e cortar custos de manutenção.
Atualmente, a rede dos Correios conta com 10.350 pontos de atendimento, somando unidades próprias e parcerias, além de 1.100 centros de distribuição e tratamento de encomendas.
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Contexto financeiro da estatal
Diagnóstico interno divulgado pela administração indica déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. O cenário adverso inclui queda nos indicadores de qualidade, liquidez e pontualidade de entregas.
Para a diretoria, a combinação de enxugamento de pessoal, revisão da estrutura física e aporte de capital pretende recuperar a capacidade de investimento e assegurar a “relevância social” da empresa nos serviços postais e de encomendas.
Balanço do PDV anterior
No PDV de 2025, cerca de 3,5 mil empregados aderiram ao programa. Embora a etapa tenha contribuído para reduzir a folha salarial, a estatal concluiu que seria necessária uma rodada adicional para atingir o patamar de custos almejado. A nova edição amplia o público elegível e reforça a expectativa de adesão, estimando até 15 mil saídas em dois anos.
Prazos e próximos passos
Com inscrições de fevereiro a março e desligamentos programados até maio, a administração afirma dispor de cronograma “compatível com a continuidade operacional” das unidades. Cada pedido será analisado de forma individual, e o benefício financeiro será depositado em parcela única após a homologação da rescisão.
Os empregados interessados receberão orientações detalhadas por meio de canais internos e poderão simular valores de indenização numa plataforma disponibilizada pela área de recursos humanos.
Segundo a empresa, as medidas de corte de gastos associadas ao PDV, à revisão da rede de atendimento e à alienação de imóveis devem produzir impacto financeiro total a partir de 2028, quando se espera equilibrar receitas e despesas. Enquanto isso, a gestão seguirá monitorando as metas de eficiência, produtividade e qualidade do serviço postal.





