Cemit confirma tubarão-cabeça-chata de 3 m em ataque que matou adolescente em Olinda

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O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) concluiu que um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) adulto, com estimados 3 a 3,5 metros de comprimento, foi o responsável pelo ataque que matou um adolescente de 13 anos na praia de Del Chifre, em Olinda (PE). O incidente ocorreu na sexta-feira, 30 de junho, e é o sexto registado nesse trecho do litoral desde 1992.

Ataque em Olinda: detalhes da investigação

A vítima foi retirada da água com uma lesão extensa na coxa direita e levada ao Hospital Tricentenário, mas não resistiu aos ferimentos. A avaliação técnica identificou um ferimento circular de 33 centímetros de diâmetro, com áreas lisas e retalhadas, padrão associado à dentição “garfo/faca” típica de tubarões do género Carcharhinus.

Com base nas dimensões da mordida, os especialistas estimaram o porte do animal e confirmaram que se tratava de um exemplar adulto. O tubarão-cabeça-chata é reconhecido pelos hábitos costeiros, pela capacidade de nadar em água doce e pela proximidade frequente da faixa de areia, fatores que aumentam a probabilidade de encontros com banhistas.

Desde o início do programa estadual de monitorização, Pernambuco registou 82 ataques de tubarão. Seis deles ocorreram em Olinda, todos na praia de Del Chifre, local que recebe acompanhamento sistemático do Cemit desde a década de 1990.

Fatores que aumentam o risco na praia Del Chifre

O professor Marcelo Nóbrega, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explica que os incidentes na Região Metropolitana do Recife envolvem predominantemente duas espécies de grande porte: o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. Segundo o investigador, esses animais procuram áreas rasas por serem regiões propícias à alimentação e, no caso das fêmeas, à reprodução.

Del Chifre fica próxima às desembocaduras dos rios Capibaribe e Beberibe, responsáveis por um grande aporte de água doce e sedimentos. A presença de resíduos e poluição deixa a água turva, reduzindo a visibilidade dos predadores. “A combinação de baixa visibilidade e estímulos sonoros ou olfativos pode levar o animal a confundir presas”, destaca o docente, reforçando que seres humanos não integram a cadeia alimentar dos tubarões.

Nóbrega acrescenta que fêmeas de tubarão-cabeça-chata costumam aproximar-se do estuário para parir, tirando partido da disponibilidade histórica de peixes e outros organismos. Alterações no ecossistema, como sobre-pesca e perda de biodiversidade, podem intensificar a presença desses predadores junto à costa.

Cemit confirma tubarão-cabeça-chata de 3 m em ataque que matou adolescente em Olinda - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Prevenção e medidas em discussão

A praia de Del Chifre possui quatro placas de alerta que proíbem surf, bodyboard e outros desportos náuticos, além de orientarem os frequentadores a evitar o banho de mar. Em todo o litoral pernambucano existem 150 placas, das quais 13 estão instaladas em Olinda. Apesar disso, a nota do Cemit não informou se havia agentes de monitorização no momento do incidente.

Para reduzir novos episódios, pesquisadores defendem a recuperação da fauna marinha e a restrição da pesca em áreas costeiras, de modo a reequilibrar a oferta de presas naturais aos tubarões. Também recomendam o reforço no tratamento de esgoto e no manejo de resíduos sólidos, mitigando fatores que atraem esses animais para zonas balneares.

O Cemit, formado por representantes do governo estadual, universidades e corpo de bombeiros, mantém estatísticas detalhadas sobre ataques e avalia a eficácia das sinalizações. O órgão utiliza dados de mapeamento marítimo, análise de correntezas e informações biológicas para ajustar ações preventivas ao longo da costa.

Enquanto novas estratégias não são implementadas, as autoridades reiteram a orientação para que moradores e turistas respeitem as placas de proibição, evitem entrar na água em locais sinalizados e procurem praias monitoradas por salva-vidas. Especialistas lembram que, embora raros, ataques de tubarão podem ser fatais, e a prevenção continua a ser a medida mais eficaz para preservar vidas.

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