Queda da Microsoft e alta da Meta evidenciam pressão por retorno em IA

NewsUp Brasil

O mercado de capitais norte-americano demonstrou avaliações divergentes sobre os investimentos em inteligência artificial (IA) de duas das maiores empresas de tecnologia. Numa única sessão, as ações da Microsoft recuaram quase 10%, enquanto os papéis da Meta valorizaram-se em proporção semelhante. O movimento reforçou a atenção dos investidores para o ritmo de conversão dos gastos em IA em resultados financeiros.

Gastos recordes desafiam expectativas de lucro

A Microsoft destinou US$ 37,5 mil milhões em despesas de capital (capex) no último trimestre, valor 66% superior ao registado um ano antes. A companhia intensificou a construção de data centers e a aquisição de componentes de alto desempenho com o objetivo de expandir os serviços de nuvem e soluções de IA.

Apesar do volume aplicado, a diretora financeira, Amy Hood, informou que limitações de hardware têm travado uma expansão mais veloz dos serviços baseados em IA. Parte relevante dos recursos cobre a parceria com a OpenAI, responsável por aproximadamente 45% da carteira de contratos futuros de nuvem da Microsoft. A dependência de um único cliente levantou questionamentos sobre a diversificação e a sustentabilidade do fluxo de receita.

Já a Meta prevê utilizar até US$ 135 mil milhões em capex em 2024, quase o dobro dos US$ 72 mil milhões executados no ano anterior. A empresa também amplia sua infraestrutura computacional para modelos de IA, mas apresentou indicadores operacionais favoráveis: a receita global avançou 24% e o lucro líquido cresceu 9% no período mais recente divulgado. Segundo a companhia, algoritmos de recomendação baseados em IA aumentaram o tempo de permanência dos utilizadores e melhoraram a segmentação de anúncios, gerando receita publicitária adicional.

Diferenças na conversão de investimento em receita

A oscilação oposta das ações reflete o modo como investidores mensuram o retorno dos aportes em IA. No caso da Microsoft, o crescimento do negócio de nuvem não acompanhou, na mesma proporção, o ritmo da despesa de capital; já a Meta conseguiu associar o uso de IA a métricas diretas de monetização em curto prazo.

Embora ambas as empresas mantenham níveis de investimento sem precedentes, a rentabilidade tornou-se parâmetro decisivo. Analistas observam que a construção de capacidade computacional requer quantidades significativas de energia, água, metais e terrenos para data centers, elementos que elevam o custo de cada dólar adicional de receita.

Queda da Microsoft e alta da Meta evidenciam pressão por retorno em IA - Tecnologia e Inovação

Imagem: Tecnologia e Inovação

Em paralelo, o montante necessário para competir no desenvolvimento de modelos de linguagem e serviços derivados concentra a liderança em poucas organizações com acesso a capital abundante. Mesmo entre essas corporações, persiste a cobrança por evidências de produtividade incremental que justifiquem despesas na casa das dezenas ou centenas de mil milhões de dólares.

Infraestrutura massiva continua a avançar

Apesar das interrogações sobre a velocidade do retorno, o consenso entre analistas de mercado indica que o investimento em infraestrutura de IA não deve arrefecer. A procura por serviços de computação intensiva, por parte de grandes clientes corporativos e do setor público, mantém a utilização de data centers em níveis elevados.

Nesse cenário, a forma como cada empresa converte capacidade técnica em fluxo de caixa gera reações diferenciadas. A Meta, ao apresentar ganhos imediatos em publicidade, mitiga dúvidas sobre a viabilidade do seu plano de investimento. A Microsoft, por sua vez, enfrenta questões sobre a dependência de hardware restrito e sobre a concentração de receita futura em contratos relacionados à OpenAI.

O contraste estabelecido pelos movimentos de mercado sugere que a indústria de IA atravessa um ponto de inflexão: manter gastos elevados permanece essencial para competir, mas demonstrar rentabilidade tornou-se critério determinante para a avaliação de valor de cada companhia.

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