Centenas de pessoas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã de domingo, 1º de fevereiro, para pedir responsabilização dos quatro adolescentes acusados de torturar o cão vira-lata Orelha na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. O animal foi agredido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser submetido a eutanásia por causa dos ferimentos graves.
Manifestação concentra público diverso em frente ao MASP
O ato começou às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) e continuou até o início da tarde. Vestidos majoritariamente de preto, manifestantes exibiam camisetas com a imagem do cão e frases de repúdio, como “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça”. Adesivos e cartazes reforçavam mensagens contra maus-tratos a animais.
Durante várias horas, o grupo entoou palavras de ordem, entre elas “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Placas pedindo a redução da maioridade penal apareceram com frequência. Pessoas de diferentes idades levaram animais de estimação para o protesto.
Repercussão volta a colocar maioridade penal em debate
A psicóloga Luana Ramos defendeu que a maioridade penal seja reduzida de 18 para 16 anos, tema que voltou a tramitar na Câmara dos Deputados. Para ela, a legislação atual é insuficiente em casos de violência grave. “Erro dá para consertar; isso foi assassinato”, disse, criticando a declaração de familiares que classificaram a agressão como um equívoco.
Segundo a psicóloga, se os autores fossem adolescentes negros, a reação pública seria diferente. O argumento foi repetido por outros manifestantes, que relacionaram cor, classe social e impunidade.
Advogada aponta penas brandas para crimes contra animais
A advogada Carmen Aires levou dois cães adotados ao ato e defendeu responsabilização criminal a partir dos 15 anos. “As penalidades para violência contra animais são muito brandas, praticamente inexistem”, afirmou. Para ela, a lei precisa de revisão diante do aumento de casos de crueldade.
Investigações e acusação de coação a testemunhas
Os quatro adolescentes são investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. Pais de dois deles e um tio são suspeitos de tentar intimidar testemunhas para evitar depoimentos, segundo relatos apresentados à polícia catarinense. Caso confirmada, a tentativa de coação poderá resultar em nova denúncia.
Imagem: Últimas Notícias
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o cão sendo agredido. Orelha era cuidado por moradores da Praia Brava e circulava livremente pela região. Após a violência, veterinários constataram lesões irreversíveis e optaram pela eutanásia.
ONG alerta para ligação entre violência animal e doméstica
A Ampara Animal divulgou materiais de orientação sobre como denunciar maus-tratos e destacou estudos que relacionam agressões a animais com violência contra mulheres. A organização reforça que a punição adequada é fundamental para inibir novos crimes.
Turistas aderem ao ato durante passeio
O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, que visitava pontos turísticos da capital paulista, decidiu participar ao encontrar a manifestação. “As filmagens mostram que eles agiram como se tivessem direito de fazer aquilo”, afirmou Almir, criticando a postura dos familiares dos adolescentes.
O protesto encerrou-se por volta das 13h, sem registro de incidentes. Manifestantes prometeram acompanhar o andamento do inquérito e novas discussões legislativas sobre maioridade penal e proteção animal.





