Gravar e transcrever reuniões já não depende apenas de softwares instalados no computador. Uma nova geração de dispositivos físicos, alguns do tamanho de um cartão de crédito e outros pensados para vestir, promete transformar qualquer conversa presencial em texto pesquisável, resumos automáticos e listas de ações, tudo impulsionado por inteligência artificial.
Modelos compactos em formato de cartão
Plaud Note e Plaud Note Pro inauguraram, em 2023, a categoria de gravadores ultrafinos voltados a quem precisa alternar entre chamadas e reuniões presenciais. O Note Pro adiciona uma pequena tela, quatro microfones e alternância automática de modo de gravação, capturando áudio num raio de três a cinco metros. Os preços oficiais são de US$ 159 para a versão básica e US$ 179 para a Pro, com 300 minutos mensais de transcrição incluídos.
Outra opção é o TicNote, da Mobvoi, vendido também por US$ 159. O aparelho promete transcrição e tradução em tempo real para mais de 120 idiomas e autonomia de 25 horas de gravação contínua graças aos seus três microfones. Entre os recursos de software, destacam-se extração automática de destaques, criação de clipes de áudio e geração de versões em “podcast” de uma conversa.
Na mesma faixa de preço surge o Note Pro da Comulytic. A diferença principal é a ausência de assinatura obrigatória: basta comprar o dispositivo e transcrever quantos minutos quiser. Segundo a empresa, a bateria grava até 45 horas seguidas e o modo de espera ultrapassa 100 dias. Há, contudo, um plano avançado de US$ 15 por mês (ou US$ 119 anuais) que libera resumos instantâneos por IA, modelos ilimitados de sumário e um assistente virtual para dúvidas sobre o material capturado.
Fechando a lista de modelos estilo cartão está o Pocket, que adere à parte traseira do telefone. A companhia cobra US$ 199, mas costuma aplicar descontos. Sem assinatura, já entrega transcrição em mais de 120 idiomas, 64 GB de memória interna e autonomia de até quatro dias. Entre os extras pagos (US$ 19,99 mensais) aparecem armazenamento ilimitado na nuvem, mais de 100 modelos de sumário, identificação de interlocutores por IA e widgets na tela inicial.
Dispositivos vestíveis e acessórios diferenciados
Quem prefere gravadores que possam ser usados como acessórios encontra no Plaud NotePin e no NotePin S alternativas versáteis. Ambos contam com dois microfones e até 20 horas de captura contínua. A versão S acrescenta um botão físico para iniciar e parar gravações, além de marcar trechos importantes. Os preços seguem o padrão da marca: US$ 159 para o NotePin e US$ 179 para o NotePin S. Pulseira, colar e clipe magnético são compatíveis, mas somente o modelo S acompanha todos os suportes.
A procura por algo mais acessível pode levar ao Omi, um pingente de US$ 89 que depende do smartphone para armazenar dados, já que não possui memória interna. Com dois microfones, funciona entre 10 e 14 horas por carga. O destaque vai para o ecossistema aberto: tanto o hardware quanto o software são disponibilizados em código aberto, permitindo que desenvolvedores criem conectores e aplicações específicas.
Outra abordagem são os fones de ouvido Viaim RecDot, vendidos por US$ 200. Além de transcrever chamadas diretamente pelos auriculares, o estojo de carregamento também grava reuniões presenciais. A empresa indica suporte a 78 línguas em tempo real e função de destacar pontos-chave no texto gerado.
Já a Anker apostou no formato pin com o Soundcore Work. Do tamanho de uma moeda, o aparelho acompanha uma base em forma de disco que expande a autonomia para até 32 horas; sozinho, grava oito horas. Comercializado a US$ 159, cobre um raio de cinco metros e concede 300 minutos de transcrição gratuitos por mês.
Comparativo de características
Embora todos os modelos ofereçam gravação de áudio e transcrição por IA, as condições variam de acordo com autonomia, alcance dos microfones e custos recorrentes. Equipamentos como o Comulytic Note Pro e o Pocket dispensam assinatura para funções básicas, ao passo que Plaud, Anker e TicNote entregam minutos mensais inclusos e cobram extra caso o utilizador ultrapasse o limite.
Quanto à portabilidade, dispositivos estilo cartão – Plaud Note, TicNote, Comulytic e Pocket – cabem facilmente na carteira ou aderem ao telefone. Já os vestíveis – NotePin, Omi e Soundcore Work – priorizam acesso rápido ao botão de gravação e mantêm as mãos livres durante a reunião.
Imagem: ilustrativa
A seleção também varia em alcance de captação. O Pocket declara gravação num raio de 15 m, valor bem acima dos cinco metros do Plaud Note Pro ou do Soundcore Work. Para uso em salas grandes, essa diferença pode ser decisiva.
Funcionalidades adicionais de software
A simples transcrição de áudio deixou de ser diferencial. Hoje, fabricantes apostam em resumos instantâneos, identificação automática de participantes, tradução multilíngue e criação de tarefas. O TicNote, por exemplo, sintetiza conversas em formato de podcast, enquanto serviços avançados da Comulytic permitem dialogar com um assistente de IA sobre o conteúdo gravado.
Também ganha força a integração com ferramentas externas. Dispositivos abertos como o Omi favorecem adaptações para plataformas corporativas ou fluxos de trabalho personalizados. Já soluções com apps próprios – Viaim, Plaud ou Anker – tendem a oferecer experiência mais controlada, porém limitam modificações por terceiros.
Preço versus benefício
Na faixa de até US$ 200, o utilizador encontra opções para diferentes cenários. Quem não quer gastos fixos pode escolher o Comulytic Note Pro ou o Pocket. Já quem valoriza acessórios discretos pode preferir o pingente Omi ou o pin da Anker. Para tradução em tempo real, TicNote e Viaim saem na frente com suporte superior a 70 idiomas.
Vale observar que o custo total de propriedade inclui eventuais assinaturas, acessórios e créditos de transcrição adicionais. Antes da compra, é recomendável comparar quantas horas de reunião são realizadas por mês, a necessidade de relatórios automatizados e o idioma principal das conversas.
Perspetivas do mercado
A popularização de reuniões híbridas, combinando presença física e chamadas de vídeo, impulsiona a adoção desses gravadores inteligentes. Com a promessa de economizar tempo na elaboração de atas e permitir buscas rápidas em conversas passadas, os fabricantes apostam em hardware dedicado para garantir melhor qualidade de áudio e privacidade, sem depender exclusivamente dos microfones do telemóvel.
Embora ainda seja um nicho, a variedade de lançamentos num curto espaço de tempo indica concorrência crescente. Dessa forma, espera-se avanço rápido em reconhecimento de voz multilingue, redução de custos de transcrição e integração direta com plataformas de produtividade.
Para profissionais, estudantes ou equipas que realizam várias reuniões por dia, investir num dispositivo especializado pode representar ganho significativo de eficiência, desde que o modelo escolhido atenda aos requisitos de autonomia, idioma e orçamento.






