A Vertu apresentou nesta quinta-feira (data conforme fonte) o Alphafold, um smartphone dobrável equipado com um agente de inteligência artificial voltado a executivos que precisam gerir operações e comunicação corporativa fora do escritório. O modelo de entrada, revestido em couro de vitelo, parte de US$ 6.880, enquanto versões com acabamentos em couro de jacaré, ouro 18K e diamantes podem chegar a US$ 46.800. A marca mantém, assim, sua estratégia tradicional de posicionar telefones como símbolos de status para um público de alta renda.
Reposicionamento da marca no segmento de luxo com foco em IA
Fundada no Reino Unido e hoje sediada em Hong Kong, a Vertu conquistou notoriedade nos anos 2000 ao unir materiais nobres e serviços de concierge. Com a ascensão do iPhone e de fabricantes de massa, a companhia perdeu espaço e mudou de controle várias vezes. O Alphafold representa a tentativa mais recente de recuperar relevância, agora apoiada em recursos de IA voltados a empresas.
O lançamento é limitado inicialmente a 115 unidades, que começam a ser enviadas nesta semana para mercados como Estados Unidos. Cada aparelho pode receber personalizações adicionais mediante orçamento individual, prática que a Vertu já adota há anos.
Hermes Agent integra sistemas empresariais
O diferencial do Alphafold é o Hermes Agent, assistente baseado no projeto de código aberto Hermes, da Nous Research. A solução conecta-se a softwares de gestão empresarial (ERP), relacionamento com clientes (CRM) e outros sistemas internos. Por meio de comandos em linguagem natural, o usuário pode aprovar solicitações, agendar compromissos, acompanhar vendas, organizar viagens e gerar relatórios operacionais.
Segundo a Vertu, a implementação do Phone-to-ERP e o serviço de VPS (Virtual Private Server) são adaptados a cada cliente, com preços variáveis conforme a infraestrutura existente. O agente consegue rotear solicitações entre diferentes modelos de IA, incluindo OpenAI GPT, Anthropic Claude, Google Gemini e opções open source, além de interagir com mais de 80 aplicativos e dezenas de funções nativas do smartphone para criar fluxos de trabalho multiplataforma.
Arquitetura de privacidade com chip dedicado
Para mitigar preocupações sobre confidencialidade de dados, a fabricante desenvolveu o chip A5, responsável por isolar chaves de autenticação, informações biométricas e conteúdo sensível do sistema operacional principal. A Vertu afirma que dados comerciais podem ser processados localmente; quando necessário, partes das solicitações são ofuscadas ou tokenizadas antes de seguir para servidores externos.
A empresa reconhece que a solução ainda não passou por auditorias independentes nem obteve certificações de segurança, mas inclui esses processos na sua “folha de rota” e promete divulgar resultados quando concluídos.
Imagem: ilustrativa
Ficha técnica e construção
O Alphafold utiliza o processador Qualcomm Snapdragon 8 Gen 4, acompanhado de uma tela interna dobrável de 8,05 polegadas e um visor externo de 6,53 polegadas. A bateria tem 6.500 mAh e há suporte a comunicação via satélite. O conjunto fotográfico traseiro traz três câmaras: principal e ultragrande-angular de 50 MP cada, além de teleobjetiva de 5 MP.
A dobradiça combina metal, titânio e fibra de carbono, com resistência estimada em até 650 mil ciclos de abertura e fechamento. Em 2023, a Vertu já havia apresentado o Agent Q, um dobrável em formato concha com recursos de automação; segundo a CEO Molly Ma, o Alphafold avança significativamente graças ao amadurecimento de memória, automação e integração de apps em agentes de IA nos últimos 12 meses.
Cenário dos dobráveis e adoção de IA empresarial
Os smartphones dobráveis continuam representando um nicho no mercado global. Dados da IDC indicam que aproximadamente 20 milhões de unidades foram expedidas em 2025, menos de 2 % do total de remessas de telefones. O preço médio desses dispositivos ficou em torno de US$ 1.300, cerca de três vezes o valor praticado por modelos convencionais.
Para Kiranjeet Kaur, diretora associada de pesquisa em mobilidade da IDC, telas maiores favorecem multitarefa e podem ampliar a utilidade de fluxos de trabalho com agentes de IA. Porém, ela observa que a adoção de IA corporativa em smartphones ainda é inferior à verificada em computadores; fatores como integração de ecossistema e suporte a gerenciamento de dispositivos continuam determinantes nas decisões de compra de empresas.
Com o Alphafold, a Vertu aposta que a combinação de materiais premium, personalização extrema e recursos de IA voltados a operações corporativas poderá atrair executivos dispostos a pagar valores superiores ao padrão do setor. Resta acompanhar se a proposta será suficiente para sustentar o retorno da marca ao segmento de luxo tecnológico.





