Startup Board levanta US$ 20 milhões e expande jogo híbrido para milhares de lares

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A Board, jovem empresa de tecnologia de jogos sediada em Nova Iorque, anunciou a captação de US$ 20 milhões numa ronda série A liderada pela Union Square Ventures. O investimento marca a primeira aposta do sócio Michael Mignano desde que se juntou ao fundo; ele passa a integrar o conselho de administração da companhia.

Financiamento reúne nomes de peso

Além da Union Square Ventures, a operação atraiu investidores anjo conhecidos no setor de tecnologia e mídia. Entre eles estão Biz Stone (cofundador do Twitter), Tim Ferriss (autor e podcaster) e Scott Belsky (fundador da Behance). O novo aporte chega oito meses depois de a fundadora Brynn Putnam revelar publicamente o produto da startup, durante evento realizado em outubro do ano passado.

Com a série A, a Board contabiliza agora US$ 35 milhões em recursos obtidos desde a fundação, em 2021. A rodada anterior, de US$ 15 milhões, foi liderada pela Lerer Hippeau, mesma firma que, anos antes, financiou o projeto inicial da executiva na área de fitness conectado.

Produto une peças físicas e interação digital

O dispositivo central da empresa consiste num touchscreen de 24 polegadas alojado numa moldura de acabamento em madeira. Graças a tecnologia proprietária, o equipamento reconhece peças físicas colocadas sobre a superfície e combina a experiência tátil dos jogos de tabuleiro com elementos típicos dos videojogos.

Desde o lançamento oficial, a solução chegou a “dezenas de milhares” de residências, escolas, hospitais e restaurantes em todos os 50 estados norte-americanos, segundo dados fornecidos pela companhia. Cerca de 85 % dos utilizadores realizam pelo menos 30 sessões de jogo por mês, indicador que a liderança interpreta como sinal de forte adoção.

Plataforma de criação com inteligência artificial

Junto com o anúncio de financiamento, a Board apresentou o Board Studio, plataforma de criação que emprega inteligência artificial para simplificar o desenvolvimento de novos títulos. A empresa afirma que qualquer pessoa poderá transformar uma ideia em protótipo jogável em menos de uma hora, utilizando comandos em linguagem natural. O lançamento está previsto para ocorrer ainda este ano.

Trajetória da fundadora

Brynn Putnam ficou conhecida por criar a Mirror, solução de fitness doméstico vendida à varejista Lululemon por US$ 500 milhões em 2020. Na época, o produto focava no treino individual diante do espelho inteligente. Após a alienação, a empresária voltou-se para iniciativas que estimulassem interação presencial. Segundo Putnam, a Board reflete a fase atual de sua vida, mais orientada a convívio familiar e amizades do que a performance pessoal.

Contexto de mercado

A rodada da Board ocorre num momento em que o segmento de hardware de consumo, por um período menos atrativo para investidores, volta a ganhar fôlego. A difusão de recursos de inteligência artificial, capaz de viabilizar novas experiências para o utilizador final, aparece como um dos principais fatores desse renovado interesse.

Especialistas do ecossistema de capital de risco avaliam que avanços recentes em IA ampliaram o leque de modelos de negócio no varejo tecnológico. Para esse grupo, projetos que incentivam interações físicas, mas mantêm o componente digital, apresentam potencial de diferenciação num mercado saturado por soluções exclusivamente virtuais.

Como funciona o jogo

No sistema desenvolvido pela Board, cada peça contém marcadores reconhecidos pelo display. Ao posicionar o objeto sobre a tela, o software identifica o formato, mapeia a localização e atualiza o estado do jogo em tempo real. Desse modo, jogadores mantêm o contato tangível com tabuleiros e fichas sem abrir mão de recursos digitais como animações, trilha sonora e tutoriais integrados.

O portfólio inclui títulos originais e adaptações de jogos clássicos. A empresa adota modelo de distribuição híbrido: parte do conteúdo é gratuita; outra parte é disponibilizada por assinatura mensal ou compra avulsa. Os planos da equipe de desenvolvimento envolvem ampliar a biblioteca por meio do Board Studio, permitindo que estúdios independentes e até utilizadores sem experiência em código lancem jogos próprios.

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Estrategia de expansão

Com o capital recém-obtido, a companhia pretende acelerar a produção em escala, reforçar contratos de logística e expandir equipes de engenharia e design. Outro objetivo é estabelecer parcerias com instituições de ensino, hospitais pediátricos e redes de alimentação, segmentos que, de acordo com a direção, demonstraram interesse no dispositivo como ferramenta de socialização e entretenimento educacional.

Embora a Board concentre por enquanto a distribuição nos Estados Unidos, a liderança avalia oportunidades em mercados internacionais, sobretudo Europa e Canadá. A empresa estuda adaptações regionais de conteúdo para atender a diferentes faixas etárias e preferências culturais.

Investidores veem potencial de longo prazo

Para a Union Square Ventures, líder da série A, o projeto combina tendências de socialização offline com conveniências tecnológicas recentes. Michael Mignano, agora no conselho da Board, destaca a capacidade do produto de “juntar pessoas em torno de uma mesa”, ao mesmo tempo em que usufrui de software avançado para manter o conteúdo sempre atualizado.

Os investidores anjo participantes argumentam que a abordagem da startup dialoga com a busca crescente por experiências coletivas após períodos de isolamento. Na avaliação desse grupo, o design que incentiva contato olho no olho pode diferenciá-la de soluções baseadas em realidade aumentada ou virtual, consideradas mais individualizadas.

Desafios e próximas etapas

A empresa ainda enfrenta obstáculos típicos de hardware de consumo, como custos de fabricação, manutenção de cadeia de suprimentos e necessidade de suporte técnico para diversos perfis de utilizador. A entrada de novos recursos financeiros tende a mitigar parte desses riscos, mas a gestão reconhece que o equilíbrio entre inovação de software e confiabilidade de componentes físicos será determinante para o crescimento sustentável.

Outro ponto crítico envolve a criação de ecossistema robusto de desenvolvedores. O sucesso do Board Studio dependerá da capacidade de atrair creators capazes de produzir jogos variados e de qualidade, garantindo frescor à plataforma e evitando dependência exclusiva dos títulos proprietários.

Perspectiva de mercado

Consultorias do setor de entretenimento digital apontam aumento no consumo de jogos que combinam interatividade física e digital, especialmente entre famílias com crianças em idade escolar. Esse público busca opções que aliviem o tempo de tela passivo e promovam habilidades sociais. A Board insere-se nesse nicho ao oferecer configuração plug-and-play, espaço reduzido em comparação com armários de jogos convencionais e biblioteca expansível via software.

A estimativa é que o segmento de “phygital gaming”, categoria que une objetos físicos a mecanismos digitais, cresça a uma taxa anual composta de dois dígitos nos próximos cinco anos. Caso mantenha o ritmo de adoção relatado, a Board poderá posicionar-se como referência nessa tendência emergente.

Com o aporte de US$ 20 milhões, reforço de governança e lançamento iminente de plataforma de criação baseada em IA, a startup avança no objetivo de tornar jogos de tabuleiro digitais parte do cotidiano de lares, escolas e espaços públicos.

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