Lula regulamenta TV 3.0 e prepara estreia para a Copa de 2026

NewsUp Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta quarta-feira o decreto que regulamenta a TV 3.0, novo padrão de televisão aberta e gratuita que deverá iniciar transmissões durante a Copa do Mundo de 2026. A medida foi elaborada pelo Ministério das Comunicações e coloca o Brasil como o primeiro país da América do Sul a adotar a tecnologia.

Modelo combina sinal aberto com recursos de streaming

A TV 3.0 utiliza o espectro tradicional de radiodifusão, mas incorpora funcionalidades típicas das plataformas de streaming. O telespectador passa a ter acesso a imagem em 4K — ou até 8K se estiver conectado à internet —, áudio imersivo com até dez canais personalizáveis e possibilidade de interagir com o conteúdo exibido.

Nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, onde o padrão já é aplicado, as emissoras oferecem múltiplas câmeras em eventos ao vivo, catálogos sob demanda e publicidade direcionada. No Brasil, o governo afirma que essas mesmas experiências estarão disponíveis de forma gratuita, mantendo o caráter de televisão aberta.

Conexão à rede não será obrigatória. Entretanto, quem estiver online poderá comprar produtos exibidos em programas, acessar serviços de governo digital e participar de transmissões com alto nível de interatividade. Para ampliar o alcance desses recursos, o Executivo planeia acelerar a expansão do 4G em regiões com cobertura limitada.

Migração escalonada e período de convivência até 2040

O cronograma prevê início das operações nas grandes capitais, coincidindo com o pontapé da Copa de 2026 em 11 de junho, no México. A adoção completa deve levar de dez a quinze anos, prazo que levará em conta a dimensão territorial do país e as desigualdades de acesso a equipamentos.

Durante o período de transição, os sistemas atuais e o novo padrão funcionarão em paralelo. Usuários poderão manter seus televisores ou optar por conversores compatíveis, hoje avaliados em cerca de R$ 400. O Ministério das Comunicações acompanha a evolução desses dispositivos e estuda mecanismos para reduzir custos, a fim de assegurar que a população de baixa renda usufrua da novidade.

Ganhos de qualidade e acessibilidade

Em termos de imagem, o salto do Full HD para o 4K multiplica quatro vezes a resolução e eleva o volume de cores de 16 milhões para aproximadamente 1 bilhão. O áudio passa a oferecer experiência semelhante à das salas de cinema, com canais independentes que permitem ajustar ângulos e mixagens.

Lula regulamenta TV 3.0 e prepara estreia para a Copa de 2026 - Tecnologia e Inovação

Imagem: Tecnologia e Inovação

Pessoas com deficiência também deverão beneficiar-se. O sistema inclui legendas personalizáveis, audiodescrição, gerador automático de Libras e janela com intérprete de língua de sinais simultânea. Esses recursos integram as emissões e dispensam aplicativos externos.

Serviços adicionais e integração com o poder público

As emissoras poderão disponibilizar catálogos de filmes e séries, transmitir câmeras exclusivas em reality shows ou partidas de futebol e inserir anúncios interativos, adaptados ao perfil de cada espectador. Compras de produtos ou ingressos poderão ser concluídas diretamente no ecrã, eliminando etapas fora da televisão.

O decreto também prevê a criação da Plataforma Comum de Comunicação Pública e Governo Digital. Por meio dela, o cidadão terá acesso a serviços estatais — como emissão de documentos ou agendamento de consultas — sem sair do televisor. O Ministério das Comunicações ainda não definiu data para essa implementação.

Declaração oficial

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, “será uma TV gratuita, aberta, com qualidade superior à TV digital e maior interatividade. Caso o aparelho esteja conectado, haverá serviços adicionais, como comércio eletrônico, facilitando a interação entre a TV e o usuário”. O titular da pasta acrescenta que o Brasil “sai na frente” ao lançar a tecnologia e mantém a meta de disponibilizá-la ao público em 2026.

Com a assinatura do decreto, as emissoras poderão iniciar testes técnicos, adaptar infraestrutura e desenvolver conteúdos específicos para o novo formato. A expectativa do governo é que, até a década de 2030, a maioria dos lares brasileiros já receba o sinal da TV 3.0, marcando a maior evolução da televisão aberta no país desde a transição para o digital em 2007.

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