O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, afirmou na quarta-feira (data não especificada) que o ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA) ainda está no início e deverá movimentar até US$4 trilhões em infraestrutura nos próximos cinco anos. A declaração foi feita num momento em que parte do mercado demonstra cautela com a possibilidade de desaceleração no segmento de chips voltados a IA.
Mercado de data centers impulsiona previsões
Segundo Huang, o volume estimado de investimentos em data centers por grandes clientes – entre eles Microsoft e Amazon – deve alcançar cerca de US$600 bilhões apenas em 2024. O executivo calculou que, em instalações que custem até US$60 bilhões, a Nvidia pode capturar aproximadamente US$35 bilhões com a venda de hardware e serviços associados à IA.
Para Huang, esta dinâmica indica que a “corrida da IA” corresponde a uma nova revolução industrial. O dirigente projeta que os gastos totais em infraestrutura de IA variem entre US$3 trilhões e US$4 trilhões até o fim da década, num mercado que, segundo ele, continuará a expandir-se à medida que empresas e governos adotem algoritmos avançados.
As projeções positivas contrastam com receios recentes de investidores sobre um eventual arrefecimento da procura por chips de alto desempenho. Esses temores surgiram após análise de expectativas de receita da empresa para o próximo trimestre, que ficou alinhada às previsões de analistas, mas sem superar as estimativas mais otimistas.
Resultados financeiros e sinalização ao mercado
No mesmo dia das declarações, a Nvidia apresentou projeção de receita de aproximadamente US$54 bilhões para o terceiro trimestre fiscal, ligeiramente superior à média de US$53,14 bilhões calculada por casas de análise. Embora o valor não represente surpresa significativa, Huang indicou que a companhia “vê poucos motivos” para um declínio no ritmo de crescimento dos lucros provenientes de chips de IA.
A convicção do executivo baseia-se no resultado do segundo trimestre, quando o lucro líquido da Nvidia ultrapassou o obtido pela Apple em seu terceiro trimestre fiscal. O desempenho reforçou a percepção de que a fabricante de processadores gráficos e aceleradores de IA mantém vantagem competitiva diante da forte procura por soluções de treinamento e inferência de modelos generativos.
Além de big techs dos Estados Unidos, a procura chinesa por unidades de processamento gráfico (GPUs) de alta performance também contribui para a expansão das vendas, mesmo sob cenário de restrições comerciais impostas por Washington. Huang, contudo, não detalhou como potenciais limitações regulatórias podem afetar o volume de negócios no país asiático.
Contexto competitivo e desafios
Embora lidere o segmento de hardware para IA, a Nvidia enfrenta concorrência crescente de empresas que desenvolvem processadores especializados – como AMD, Intel e fornecedores de soluções personalizadas. Além disso, grandes plataformas em nuvem investem em chips próprios para reduzir dependência de terceiros.

Imagem: Internet
Huang reconheceu que a evolução tecnológica exige ciclos constantes de inovação, mas reiterou que a combinação de hardware, software e ecossistema de desenvolvedores posiciona a Nvidia para capturar parcela substancial do mercado projetado.
Por enquanto, a estratégia permanece centrada em ampliar capacidade produtiva, otimizar arquiteturas de GPU e reforçar parcerias com provedores de serviços em nuvem. O executivo não revelou metas específicas de participação de mercado ou cronogramas para novos lançamentos, mas mencionou que a empresa continuará a ajustar a oferta de produtos de acordo com a demanda.
Expectativas para os próximos anos
Com a perspectiva de que modelos de IA se tornem recurso padrão em diversos setores – de saúde a finanças – Huang argumenta que investimentos em infraestrutura deverão manter ritmo acelerado até 2030. O executivo destaca, ainda, que aplicações de IA generativa exigem grande capacidade de computação, impulsionando ciclos de atualização de hardware em intervalos mais curtos do que os observados em data centers tradicionais.
A previsão de expansão multitrilionária serve para atenuar preocupações sobre a possibilidade de saturação do mercado de GPUs. Apesar de reconhecer a volatilidade de curto prazo, a Nvidia aposta no crescimento contínuo dos orçamentos corporativos destinados a inteligência artificial para sustentar as receitas da companhia no médio e longo prazo.
Com essa combinação de projeções robustas e resultados recentes superiores aos de concorrentes de peso, a Nvidia reforça sua posição como principal beneficiária do avanço da IA, mantendo o discurso de que o atual boom ainda está longe do ponto de inflexão.