Pesquisadores criam suculentas que brilham no escuro e dispensam eletricidade

Tecnologia e Inovação

Uma equipa da Universidade Agrícola do Sul da China apresentou, em 28 de agosto de 2025, suculentas capazes de emitir luz suficiente para substituir pequenas lâmpadas de LED. As plantas foram modificadas com partículas fluorescentes que absorvem energia do Sol e a devolvem gradualmente no escuro.

Técnica utiliza fósforos fluorescentes

O grupo liderado pela investigadora Shuting Liu evitou a engenharia genética e optou por injetar fósforos fluorescentes nos tecidos foliares. Esses compostos, semelhantes aos empregados em brinquedos que brilham no escuro, armazenam luz durante a exposição solar e emitem o brilho de forma lenta e contínua.

A eficiência do processo dependeu do tamanho das partículas. Testes mostraram que diâmetros em torno de 7 micrómetros — equivalentes à largura de um glóbulo vermelho — percorrem os canais internos da planta sem perda significativa de intensidade luminosa. Partículas menores circulam com facilidade, mas produzem luz mais fraca; partículas maiores iluminam mais, porém encontram dificuldade para se difundir nos tecidos.

Os cientistas aplicaram a técnica em várias espécies, incluindo jiboia e repolho-chinês. Somente as suculentas produziram resultado expressivo. A estrutura compacta e os canais uniformes das suas folhas distribuíram as partículas de maneira homogênea, permitindo que toda a superfície emitisse luz em poucos segundos após a exposição a fontes de iluminação natural ou artificial.

Luz de várias cores e autonomia de duas horas

Com diferentes tipos de fósforos, a equipa obteve três tonalidades principais: verde, vermelho e azul. Depois de alguns minutos sob luz solar ou LED, as suculentas brilharam por até duas horas, tempo suficiente para iluminar objetos próximos ou criar efeitos decorativos sem ligação elétrica.

Para demonstrar o potencial da técnica, os investigadores montaram um jardim vertical com 56 suculentas modificadas. O painel gerou luminosidade capaz de permitir a leitura de textos em ambiente escuro, confirmando a comparabilidade com lâmpadas LED de baixa potência.

Aplicações e próximos passos

O conceito integra o campo da nanobiônica vegetal, que estuda a incorporação de materiais funcionais em plantas vivas. Segundo a equipa, as suculentas luminosas podem servir como alternativa sustentável para sinalização de caminhos, decoração de interiores ou iluminação noturna suave em jardins.

Pesquisadores criam suculentas que brilham no escuro e dispensam eletricidade - NewsUp Brasil

Imagem: NewsUp Brasil

O brilho diminui gradualmente com o tempo, e a segurança a longo prazo dos fósforos ainda está sob avaliação. Os investigadores analisam o impacto dos compostos na saúde das plantas e procuram aumentar a durabilidade do efeito luminoso.

Se os testes confirmarem estabilidade e ausência de danos, o método poderá ser adaptado para outras espécies vegetais e aplicações urbanas, como substituição parcial de postes de luz em áreas de baixo tráfego ou implementação em fachadas verdes.

Além de reduzir o consumo elétrico, a utilização de plantas como fonte de iluminação simplifica a manutenção em espaços externos, pois elimina fios e componentes eletrónicos. A recarga natural pela luz solar também diminui custos operacionais em comparação com lâmpadas convencionais.

Os investigadores continuam a ajustar o tamanho das partículas, a composição química dos fósforos e os protocolos de injeção para prolongar o tempo de emissão luminosa. Estudos paralelos avaliam a possível integração de sensores ambientais que permitam às plantas aumentar ou reduzir o brilho conforme a intensidade da luz ambiente.

Embora ainda restrita ao ambiente de laboratório, a técnica demonstra um caminho promissor para soluções de iluminação baseadas em organismos vivos, combinando estética, eficiência energética e potencial de adaptação a diferentes cenários urbanos.

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