PF descobre R$ 140 bilhões em esquema de combustíveis; Lewandowski promete avanço

Brasília, 28 ago. 2025 — A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira três operações simultâneas que revelaram movimentações financeiras ilícitas de aproximadamente R$ 140 bilhões ligadas ao setor de combustíveis. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, a ação representa “apenas a ponta do iceberg” de uma engrenagem que envolve adulteração de produtos, desvio de metanol, lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no sistema financeiro.

Operações alcançam todo o país

As operações, batizadas de Quasar, Tanque e Carbono Oculto, contaram com o cumprimento de quase 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão. Os alvos foram distribuídos em vários estados, atingindo postos de combustíveis, distribuidores, transportadoras, refinarias e empresas de fachada.

De acordo com as investigações, mais de mil postos participavam do esquema. A rede importava metanol, produto usado na adulteração de gasolina, e desviava combustíveis de refinarias para abastecer estabelecimentos sem autorização. O lucro ilícito era mascarado por meio de fintechs e administradoras de fundos, responsáveis por movimentar volumes bilionários longe do radar das autoridades fiscais.

Como resultado imediato, a PF bloqueou e sequestrou mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. Entre os ativos retidos estão imóveis, aeronaves, frotas de caminhões e contas bancárias que, segundo os investigadores, pertencem a líderes da organização criminosa.

Estratégia mira as finanças do crime

Em entrevista ao programa Voz do Brasil, Lewandowski afirmou que as operações refletem uma mudança de paradigma no combate ao crime organizado. “Percebemos que os instrumentos tradicionais de repressão não bastam quando o inimigo domina estruturas contábeis, fiscais e tecnológicas”, declarou.

O ministro lembrou que, no início deste ano, o Ministério da Justiça criou um núcleo dedicado ao combate ao crime organizado, com participação de especialistas em análise financeira, inteligência e fiscalização tributária. Esse grupo articulou a integração entre PF, Receita Federal e Ministério Público, permitindo rastrear o fluxo de dinheiro desde a adulteração do combustível até seu destino em aplicações financeiras complexas.

Segundo Lewandowski, a prioridade é “descapitalizar” as organizações criminosas. “Quando sufocamos financeiramente, enfraquecemos a capacidade de corromper agentes públicos, adquirir armamento e expandir atividades ilícitas”, explicou.

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Próximos passos da investigação

Documentos apreendidos durante as buscas serão submetidos a perícia contábil e cruzamento de dados fiscais. Os investigadores esperam identificar novos participantes, inclusive empresas do sistema financeiro usadas para lavar dinheiro. “Nosso objetivo é chegar aos diversos níveis hierárquicos, do operador ao financiador”, frisou o ministro.

Lewandowski confirmou que novas fases estão em preparação e poderão atingir outros setores onde o crime organizado já teria presença. Ele destacou que a complexidade do esquema exigirá cooperação internacional para rastrear recursos enviados ao exterior.

Impacto para consumidores e mercado

A adulteração descoberta nas operações compromete a eficiência dos veículos, causa danos mecânicos e aumenta emissões de poluentes. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanhará o inquérito para avaliar sanções contra os postos envolvidos.

Especialistas ouvidos pela PF apontam que o esquema também distorceu preços, criando concorrência desleal em diferentes regiões do país. Com o bloqueio de ativos e a retirada de empresas irregulares do mercado, a expectativa é que haja maior estabilidade no fornecimento e redução na incidência de combustíveis adulterados.

Enquanto a investigação avança, a Receita Federal intensifica a fiscalização sobre importações de produtos químicos e combustíveis, numa tentativa de impedir que novas cargas ilegais abasteçam a rede clandestina. O Ministério da Justiça reforça que a ação conjunta entre forças de segurança e órgãos de controle financeiro seguirá como modelo para futuras operações que tenham como foco estrangular economicamente o crime organizado.

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