xAI processa ex-funcionário por alegado roubo de segredos do chatbot Grok

NewsUp Brasil

A xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk, levou ao tribunal federal da Califórnia uma ação contra o engenheiro Xuechen Li. A companhia afirma que o ex-colaborador copiou ficheiros confidenciais sobre o desenvolvimento do chatbot Grok e transferiu o material para a OpenAI, onde passou a trabalhar neste mês.

Acusações de apropriação indevida de tecnologia

De acordo com a queixa, apresentada na quinta-feira, Li teve acesso a algoritmos e modelos considerados determinantes para o desempenho do Grok, projeto da xAI que concorre diretamente com o ChatGPT. A empresa sustenta que o engenheiro descarregou documentos internos, códigos-fonte e dados de treino logo depois de aceitar uma oferta de emprego da OpenAI em julho.

O processo relata que, durante reunião realizada em 14 de agosto, Li admitiu ter transferido ficheiros da rede corporativa para dispositivos pessoais. A xAI alega ainda que o ex-funcionário procurou “encobrir os rastros” ao eliminar evidências digitais e omitir parte dos conteúdos copiados. Posteriormente, a equipa forense da empresa teria identificado arquivos adicionais não revelados por Li.

Segundo a petição, o engenheiro também vendeu cerca de 7 milhões de dólares em ações da xAI pouco depois de aceitar o novo emprego. Para a startup de Musk, o movimento indica intenção de romper rapidamente o vínculo e aproveitar o conhecimento adquirido para favorecer a rival.

Disputa amplia rivalidade entre Musk e OpenAI

A ação contra Li não inclui a OpenAI como ré, mas reforça a tensão entre as duas organizações. Musk foi cofundador da OpenAI em 2015 e deixou a entidade em 2018. Desde então, vem criticando a orientação comercial da empresa e questionando a transparência dos seus modelos.

Em processo separado, Musk moveu queixa contra a OpenAI e o presidente-executivo Sam Altman, alegando desvio da missão de “beneficiar a humanidade”. A OpenAI respondeu com outro processo, acusando o bilionário de assédio e posicionando-se como alvo de campanha intimidatória.

Na segunda-feira, a xAI entrou ainda com uma ação no Texas, acusando a OpenAI e a Apple de monopolizar o mercado de chatbots de IA em dispositivos da fabricante do iPhone. Para analistas do setor, os litígios evidenciam a corrida pelo domínio de tecnologias generativas e a disputa por profissionais qualificados.

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Imagem: Internet

Pedidos à Justiça e possíveis impactos

No caso de Li, a xAI solicita compensação financeira por danos não especificados e requer ordem de restrição que impeça o engenheiro de desempenhar funções na OpenAI ou utilizar qualquer informação obtida durante o tempo em que trabalhou na empresa de Musk. A startup argumenta que os segredos industriais envolvidos “poderiam permitir o reforço imediato do ChatGPT com recursos imaginativos” originalmente desenvolvidos para o Grok.

Até a publicação da queixa, nem Li nem representantes da OpenAI apresentaram comentários públicos sobre as acusações. A defesa do engenheiro também não se manifestou. A falta de resposta mantém indefinida a extensão dos dados supostamente extraídos e o potencial de uso pela nova empregadora.

Casos de apropriação indevida de tecnologia não são raros no setor de inteligência artificial, onde ciclos de inovação acelerados e altos investimentos tornam o capital intelectual um ativo estratégico. Empresas como xAI e OpenAI competem por modelos mais eficientes, capazes de reduzir custos operacionais e ampliar a base de utilizadores.

Especialistas em direito empresarial observam que, se confirmada a violação, o tribunal pode aplicar sanções consideráveis e limitar temporariamente as atividades profissionais de Li. Contudo, decisões em litígios de segredo comercial costumam depender da demonstração clara de que os materiais copiados são exclusivos, confidenciais e decisivos para a vantagem competitiva.

No panorama mais amplo, o processo acrescenta pressão a um mercado já marcado por disputas de patentes, contratos de exclusividade e negociações salariais elevadas para atrair talentos em machine learning. A solução do caso poderá estabelecer parâmetros para futuras contendas envolvendo transferência de know-how entre gigantes do setor.

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