Ações da SAP recuam ao menor patamar em 17 meses sob pressão da IA

Imagem representando tecnologia e inovação

A cotação da SAP voltou a cair nesta quarta-feira, atingindo o nível mais baixo desde agosto de 2024 e prolongando uma sequência negativa iniciada há vários meses. O recuo, associado a preocupações sobre a evolução da inteligência artificial (IA) no setor de software, já eliminou cerca de 130 milhões de dólares do valor de mercado da empresa desde o recorde estabelecido no início de 2025.

Valor de mercado encolhe €106 bilhões em um ano

Por volta das 13h25 (horário local), os papéis da SAP eram negociados com queda de 1,23 % na Bolsa de Frankfurt, avaliando o grupo em aproximadamente 238 bilhões de euros. No pico registrado em fevereiro de 2025, essa capitalização atingira 344 bilhões de euros, diferença que corresponde a uma perda de cerca de 106 bilhões de euros em 11 meses.

O declínio da SAP reflete uma correção mais ampla que afeta empresas de software na Europa e em Wall Street. Investidores temem que a rápida valorização motivada pelo entusiasmo em torno da IA tenha inflado preços além do razoável, abrindo espaço para ajustes. Embora o movimento negativo seja generalizado, a SAP tem peso expressivo no setor por ser o maior fornecedor europeu de software corporativo.

Pressão da IA e transição para a nuvem

Especialistas apontam que a disseminação de ferramentas baseadas em IA pode pressionar margens de serviços tradicionais. Angelo Meda, gestor de portfólio da Banor SIM, observa que a companhia precisa acelerar a migração para a computação em nuvem a fim de preservar competitividade. “Com a IA, muitos módulos se tornam mais fáceis de desenvolver e replicar. O risco é que o preço médio de venda e as horas faturáveis diminuam”, avaliou.

Esse cenário coloca a estratégia de nuvem no centro das atenções. A SAP vem transferindo progressivamente sua base de clientes para contratos baseados em assinatura, mas o ritmo de adoção é monitorado de perto por analistas e acionistas. Uma execução lenta poderia ampliar a diferença de receitas em relação a concorrentes já posicionados em modelos cloud-native.

Confiança em software atinge patamar historicamente baixo

Em relatório recente, Brent Thill, analista da Jefferies, afirmou que a confiança dos investidores no segmento de software “raramente esteve tão baixa”. Segundo ele, a avaliação da SAP se aproxima do piso histórico, mesmo com a empresa apresentando fluxo de caixa robusto e carteira diversificada de clientes globais. Para o analista, o fator central não é a viabilidade do negócio, mas a percepção sobre quanto os clientes estão dispostos a pagar por soluções que podem ser replicadas por IA generativa.

Cenário setorial amplia volatilidade

A retração nas cotações da SAP ocorre em paralelo a quedas de outras companhias de software listadas na Europa e nos Estados Unidos. O movimento é alimentado pela dúvida sobre a duração do ciclo de fortes investimentos em IA. Enquanto alguns gestores calculam que a demanda continuará elevada, outros enxergam sinais de uma potencial bolha, sobretudo após altas significativas em 2023 e 2024.

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Imagem: Internet

Além dos fatores ligados à IA, a trajetória dos juros em economias centrais exerce influência sobre o setor de tecnologia. Taxas mais altas tendem a encarecer o financiamento de projetos de inovação e reduzem o valor presente de expectativas de lucro futuro, pressionando múltiplos de valuation.

Perspectivas e próximos passos

Apesar da queda recente, parte do mercado mantém visão construtiva a médio e longo prazo. A SAP possui contratos de suporte de longo prazo, presença forte em soluções de gestão empresarial e um ecossistema de parceiros global. Analistas citam ainda a capacidade da companhia de gerar receitas recorrentes por meio de subscrições, característica que costuma oferecer maior previsibilidade de caixa.

Os próximos resultados trimestrais serão acompanhados atentamente para avaliar o ritmo de conversão de clientes para serviços em nuvem, o impacto de novas integrações de IA nos produtos e a evolução das margens operacionais. Até lá, a volatilidade tende a permanecer, refletindo a sensibilidade do mercado a qualquer dado que indique aceleração ou desaceleração da adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial.

Enquanto isso, investidores monitoram a capacidade da SAP de ajustar preços e portfólio diante de uma possível commoditização de certos módulos de software. O equilíbrio entre inovação, migração para a nuvem e manutenção das margens será determinante para a recuperação das ações nos próximos trimestres.

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