Alívio nas tensões com Trump faz Ibovespa bater recorde e dólar cair 1%

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O mercado financeiro brasileiro encerrou a quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, num clima amplamente favorável. O Ibovespa avançou 3,33%, atingindo 171.817 pontos e estabelecendo o maior nível da série histórica. No câmbio, o dólar à vista recuou 1,1%, para R$ 5,321, menor cotação desde 4 de dezembro. O movimento refletiu a combinação de entrada de capital estrangeiro, alívio nas tensões comerciais externas e queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Bolsa avança com fluxo estrangeiro e recorde de volume

Desde a abertura, o principal índice da B3 sustentou valorização consistente, ultrapassando pela primeira vez as faixas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 43,3 bilhões, superior à média diária observada em 2026, sinalizando apetite elevado por ativos de risco.

O desempenho reforça a trajetória positiva do Ibovespa no ano. Até a metade de janeiro, o indicador acumula alta de 6,6% e registra ingresso líquido de R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros. A busca por ações brasileiras vem sendo estimulada pela perspectiva de menor aperto monetário em economias avançadas e pela relativa estabilidade do cenário doméstico.

A valorização ganhou força à tarde, acompanhando o avanço dos índices em Wall Street. O S&P 500 subiu mais de 1% após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de declarações sobre novas tarifas e afastar o uso de força em disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia. O tom mais conciliador reduziu a percepção de risco global e abriu espaço para a tomada de posições em mercados emergentes.

Dólar cai com menor aversão ao risco e juros mais baixos nos EUA

No mercado de câmbio, a moeda norte-americana operou em baixa durante toda a sessão e intensificou o movimento no fim da tarde, coincidindo com o anúncio de Trump de suspender a imposição de tarifas à União Europeia. O recuo de R$ 0,061 levou a cotação a R$ 5,321, patamar mais baixo em seis semanas. No acumulado de 2026, o dólar cede 3,06% frente ao real.

A entrada de recursos externos também influenciou o câmbio. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que, até 16 de janeiro, o Brasil registrou superávit de US$ 1,54 bilhão no fluxo cambial, impulsionado principalmente pela via financeira. A maior oferta de dólares no mercado doméstico contribuiu para a queda da cotação.

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Outro fator relevante foi a redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, considerados os ativos mais seguros do mundo. Juros mais baixos nos Estados Unidos tendem a diminuir a atratividade desses papéis, estimulando investidores globais a buscar retornos maiores em países emergentes, como o Brasil. Esse movimento aumenta a oferta de divisas e pressiona o dólar para baixo.

Liquidação do Will Bank não altera humor dos investidores

No âmbito doméstico, a decisão que determinou a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master, recebeu atenção, mas não teve impacto relevante sobre preços de ações ou câmbio. Analistas apontam que o caso é pontual e não representa risco sistémico para o setor financeiro.

Perspectivas de curto prazo

Para os próximos dias, profissionais de mercado observam três pontos principais: evolução do diálogo comercial entre Estados Unidos e parceiros, comportamento dos rendimentos dos Treasuries e ritmo de entrada de capital estrangeiro na B3. Caso o ambiente externo permaneça favorável, a bolsa pode testar novas máximas, enquanto o dólar tende a seguir pressionado. Entretanto, qualquer sinal de recrudescimento de tensões geopolíticas ou surpresa negativa em indicadores norte-americanos pode reverter o quadro atual de otimismo.

Com o resultado desta quarta-feira, o Ibovespa registra a maior alta diária desde abril de 2023, marcando novo capítulo na sequência de recordes iniciada no fim do ano passado. Já o dólar, ao fechar no menor nível desde o início de dezembro, reforça a percepção de que o fluxo de recursos para o Brasil deve continuar a ditar o tom dos negócios em janeiro.

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