A Amazon iniciou os testes do Bee, um dispositivo vestível com inteligência artificial concebido para gravar, transcrever e resumir conversas sem depender de um smartphone nas proximidades. O equipamento é operado por um botão físico e atua em conjunto com um aplicativo que organiza os áudios em segmentos detalhados, sugerindo tarefas e armazenando notas de voz do utilizador.
Gravação segmentada e resumo automático
Para iniciar ou interromper a captura de áudio, basta um único clique no aparelho. Na aplicação complementar, o utilizador define se um duplo clique marca um trecho específico, processa a conversa instantaneamente ou executa ambas as funções. É possível ainda atribuir ao gesto de pressionar e segurar a criação de uma nota de voz ou a abertura de um chat com o assistente de IA.
Diferentemente de serviços como Plaud, Otter e Fireflies, que entregam transcrições completas ou panorâmicas, o Bee divide o diálogo em blocos temáticos e apresenta um resumo de cada parte. Cada segmento surge com uma cor de fundo distinta, facilitando a navegação. Ao tocar num bloco, o utilizador acede à transcrição literal daquele trecho.
O aplicativo permite confirmar manualmente quem foi o orador em cada segmento, mas não oferece rotulagem automática de todos os participantes, recurso comum em transcritores profissionais. Além disso, o Bee elimina o áudio original depois de concluída a transcrição, impossibilitando a reprodução posterior para verificação de fidelidade.
Integração com serviços do Google e notas pessoais
O foco do dispositivo não é o ambiente corporativo. A Amazon projeta o Bee como um assistente para atividades cotidianas. Quando ativado, o software consegue relacionar uma conversa a ações práticas, como sugerir adicionar um novo contato no LinkedIn ou pesquisar um produto mencionado durante um encontro.
O utilizador pode gravar lembretes de voz no lugar de anotações tradicionais. O histórico diário fica acessível numa aba chamada “Memories”. Já a seção “Grow” promete fornecer insights à medida que o sistema aprende sobre rotinas e preferências. Existe ainda um campo “Facts”, onde o dono do dispositivo confirma ou ajusta informações pessoais que o assistente deverá reter.
A Amazon informou que novos recursos serão distribuídos ao longo do ano, mas não especificou um cronograma.
Design do dispositivo e sinalização de gravação
O Bee não permanece em escuta constante. O utilizador precisa pedir permissão para gravar ou acionar o wearable em locais onde a captação de áudio é esperada, como eventos públicos. Durante o registro, um LED verde permanece aceso para alertar terceiros.
Imagem: Gadgets e Tech
O acessório é entregue com duas opções de suporte: uma pulseira desportiva e um clipe para fixação na roupa. Nos testes iniciais, a pulseira se mostrou menos resistente, soltando-se em duas ocasiões enquanto o utilizador permanecia sentado. O clipe pareceu mais firme, embora não tenha sido avaliado extensivamente.
Segundo as primeiras impressões, o aplicativo apresenta uma interface mais moderna que outros softwares internos da empresa, como a aplicação móvel da Alexa, e mostrou-se simples de configurar.
Privacidade e adoção do mercado
A funcionalidade de gravação sob demanda foi escolhida para evitar a reação negativa enfrentada por produtos que captam som de forma contínua. Ainda assim, a disseminação de dispositivos capazes de registrar diálogos pode exigir ajustes culturais sobre quando e como é adequado utilizá-los, sobretudo em espaços onde não se espera monitoração permanente.
Observadores notaram situações em feiras de tecnologia nas quais expositores já utilizavam wearables semelhantes para guardar todo o conteúdo de conversas. Tais práticas levantam dúvidas sobre consentimento e podem induzir as pessoas a moderar o que dizem em público.
O desempenho comercial do Bee ajudará a Amazon a entender se o consumidor fora do contexto profissional demonstra interesse por um acessório dedicado a documentar interações e oferecer sugestões baseadas em IA.





