Os smartwatches da Apple ganharam autorização para enviar notificações sobre risco de hipertensão a utilizadores no Brasil a partir desta terça-feira (27). O recurso, anunciado em setembro com a linha iPhone 17 e o iPhone Air, dependia do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para funcionar no país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 34,5 milhões de brasileiros adultos e idosos conviviam com a pressão arterial fora de controlo no fim do ano passado, o que reforça a relevância da nova funcionalidade.
Como o relógio identifica o risco de pressão alta
O Apple Watch não mede a pressão diretamente. Em vez disso, utiliza o sensor óptico de frequência cardíaca para observar a forma como os vasos sanguíneos respondem aos batimentos. A cada 30 dias, a partir da ativação, algoritmos avaliam essas variações e procuram padrões associados à hipertensão.
Dados de 100 mil participantes de um estudo cardiovascular serviram para treinar a inteligência artificial que processa as informações. Posteriormente, a empresa validou o método num ensaio clínico com mais de 2 mil voluntários. Quando o sistema encontra indícios consistentes de pressão elevada, o relógio envia uma notificação aconselhando o utilizador a procurar avaliação médica.
Passo a passo para ativar a função
A configuração é feita no iPhone emparelhado:
1. Abra o app Saúde e toque no ícone de perfil, no canto superior direito.
2. Acesse “Funcionalidades” e selecione “Lista de verificação de saúde”.
3. Localize “Notificações de Hipertensão” e informe a idade solicitada.
4. Siga as instruções exibidas até concluir a ativação.
Após esses passos, o relógio iniciará o ciclo de avaliação mensal automaticamente.
Modelos compatíveis e requisitos de software
Para receber os alertas é necessário instalar o watchOS 26. A funcionalidade está disponível nos seguintes dispositivos:
- Apple Watch Series 9
- Apple Watch Series 10
- Apple Watch Series 11
- Apple Watch Ultra 2
- Apple Watch Ultra 3
O utilizador também deve ter um iPhone 11 ou posterior com a versão mais recente do iOS, que armazena os registros de saúde e permite a análise dos dados.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Quem deve — e quem não deve — usar o recurso
A ferramenta destina-se a pessoas com 22 anos ou mais que ainda não tenham diagnóstico de hipertensão e não estejam grávidas. O objetivo é sinalizar um possível problema antes do aparecimento de sintomas ou de um evento cardiovascular. Por isso, indivíduos já diagnosticados com pressão alta não devem recorrer ao alerta para monitorização diária, nem substituir consultas médicas ou medições tradicionais.
Impacto potencial na saúde pública
No Brasil, a hipertensão figura entre os principais fatores de risco para acidente vascular cerebral, enfarte e demência. Alertas precoces podem incentivar a procura por atendimento especializado e estimular mudanças no estilo de vida, contribuindo para a prevenção dessas complicações.
A liberação da Anvisa permite que a Apple ofereça a funcionalidade sem limitações regionais, alinhando o país a mercados onde o recurso já estava ativo desde o lançamento. Embora a empresa não divulgue estimativas de quantos utilizadores devem ser beneficiados, a base instalada de iPhones e Apple Watch no território brasileiro sugere um alcance significativo.
Com a chegada da atualização, os proprietários de relógios compatíveis recebem a nova versão do sistema em etapas. Para verificar se o software já está disponível, basta abrir o app Watch no iPhone, entrar em “Geral” e tocar em “Atualização de software”. A instalação exige que o relógio esteja com pelo menos 50% de carga e conectado ao carregador.
Após a conclusão do processo, a funcionalidade aparece automaticamente na lista de verificações de saúde. Caso o utilizador não deseje receber alertas, a opção pode ser desativada no mesmo menu, sem impactar outros serviços de monitorização cardíaca.
Combinando sensores de hardware, inteligência artificial e validação clínica, a novidade coloca o Apple Watch como uma ferramenta adicional na detecção precoce da hipertensão, condição que, apesar de silenciosa, representa um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.





