A NASA confirmou a tripulação que partirá rumo às imediações da Lua na missão Artemis 2, prevista para descolar em 6 de fevereiro de 2026. O voo marcará o regresso de humanos além da órbita terrestre desde a Apollo 17, em 1972, e terá quatro participantes: Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista de missão) e Jeremy Hansen (especialista de missão).
Viagem histórica após meio século
Mais de 4 mil milhões de pessoas no planeta nunca testemunharam um voo tripulado tão distante da Terra. A cápsula Orion, acoplada ao foguetão SLS, fará um percurso de aproximadamente dez dias, contornando a Lua e regressando à Terra. O módulo de serviço foi desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, enquanto a Agência Espacial Canadiana contribui para o futuro posto avançado lunar Gateway e, em contrapartida, garantiu um assento para um dos seus astronautas.
O projeto Artemis sofreu vários adiamentos desde o anúncio inicial: a partida foi projetada para 2024, passou a 2025 e, finalmente, a 2026. Com a nova data, a NASA afirma ter concluído as etapas técnicas necessárias para o ensaio geral.
Diversidade e cooperação internacional
A composição da tripulação traz três estreias na exploração lunar. Christina Koch será a primeira mulher a viajar até a órbita lunar. Victor Glover tornará-se o primeiro astronauta negro nessa trajetória. Já Jeremy Hansen, canadense, será o primeiro não americano a realizar a mesma façanha. A escolha reflete o compromisso do programa com diversidade e parcerias globais.
Perfil dos quatro astronautas
Reid Wiseman, 50 anos, nasceu em Baltimore e formou-se em engenharia da computação. Ex-piloto da Marinha dos EUA, voou pela primeira vez ao espaço em 2014, durante as expedições 40/41 da Estação Espacial Internacional (ISS). Entre 2020 e 2022 liderou o Escritório dos Astronautas da NASA e, agora, comandará o segundo voo da sua carreira.
Victor Glover, 49 anos, natural da Califórnia, é engenheiro pela Cal Poly e possui mestrados em engenharia de sistemas, engenharia de ensaios de voo e ciência militar. Piloto da Marinha com mais de 3 000 horas de voo, participou de 24 missões de combate. Na NASA desde 2013, esteve seis meses na ISS a bordo da Crew Dragon Resilience entre 2020 e 2021.
Christina Koch, 47 anos, nasceu em Michigan e cresceu na Carolina do Norte. É licenciada em física e engenharia elétrica, com mestrado na mesma área. Antes de se tornar astronauta em 2013, trabalhou no desenvolvimento de instrumentos científicos e participou de expedições polares. Em 2019 permaneceu 328 dias na ISS, recorde feminino de permanência contínua no espaço.
Imagem: Internet
Jeremy Hansen, 50 anos, de London (Ontário), ingressou na Força Aérea Real Canadense em 1994 e é mestre em física com foco em rastreamento de satélites. Selecionado pela Agência Espacial Canadense em 2009, participou de treinos subaquáticos e subterrâneos, mas ainda não voou ao espaço. A Artemis 2 será a sua missão inaugural.
Próximos passos do programa Artemis
Depois da missão circunlunar, a NASA planeia o voo Artemis 3, destinado ao primeiro pouso humano na superfície lunar desde 1972. A meta oficial é 2028, embora a agência admita possíveis revisões no calendário. A concretização desse objetivo envolve a construção do Gateway, o desenvolvimento de landers pela iniciativa privada e a continuidade da parceria com a ESA, CSA e outras agências.
Caso a Artemis 2 cumpra o cronograma, a agência espacial americana validará sistemas de suporte de vida, comunicações e navegação para missões posteriores. O sucesso também servirá de base para a futura exploração de Marte, objetivo de longo prazo do programa.
Enquanto a data de lançamento se aproxima, os quatro astronautas seguem em treinamentos específicos: simulações na cápsula Orion, voos de resistência em jatos T-38, ensaios de sobrevivência marítima e sessões de integração de equipa. A missão promete inaugurar uma nova era de voos tripulados, combinando avanço tecnológico, cooperação internacional e inclusão.





