Ataque de tubarão em Olinda faz Pernambuco reforçar monitoramento no litoral

O adolescente Deivison Rocha Dantas, de 13 anos, foi sepultado na tarde de sexta-feira (30) após morrer vítima de um ataque de tubarão na praia de Del Chifre, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. O incidente, ocorrido na quinta-feira, é o primeiro registro fatal na área em 2026 e reavivou o debate sobre segurança marítima no estado.

Detalhes do incidente

De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a mordida na coxa direita do jovem apresentava 33 cm de diâmetro e padrão compatível com dentes do tipo “garfo/faca”. A análise indica elevada probabilidade de se tratar de um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécie comum em zonas costeiras, estuários e áreas influenciadas por rios — características presentes no trecho atingido.

Desde 1992, Pernambuco contabiliza 82 ocorrências envolvendo tubarões, das quais 67 no litoral continental, sobretudo entre o Cabo de Santo Agostinho e Olinda, e 14 no arquipélago de Fernando de Noronha. O Cemit classifica um segmento de 33 km de praias — dos coqueirais da Praia do Paiva até a Praia do Farol — como área de maior risco. Nesse perímetro, atividades náuticas são proibidas por decreto estadual, embora o banho de mar permaneça liberado, exceto em 2,2 km da Praia de Piedade, onde o município de Jaboatão dos Guararapes veta a entrada de banhistas.

Para alertar moradores e turistas, 150 placas de sinalização estão instaladas no litoral pernambucano; 13 delas em Olinda, sendo quatro na própria Del Chifre. Mesmo assim, a proximidade com estuários, correntezas e presença de cardumes cria condições favoráveis ao encontro entre humanos e predadores, fator apontado por especialistas como determinante para a incidência de ataques.

Medidas de prevenção e monitoramento

Poucas semanas antes do acidente, o governo de Pernambuco publicou edital estimado em R$ 1,052 milhão para retomar o monitoramento de tubarões, suspenso desde 2015. O projeto prevê implantar microchips nos animais, acompanhar deslocamentos e produzir relatórios durante 24 meses. O foco inicial recai sobre o trecho de 33 km definido pelo Decreto Estadual 21.402/1999, sem descartar a expansão para outras áreas do litoral.

Hoje, a Universidade Federal Rural de Pernambuco executa um monitoramento restrito ao arquipélago de Fernando de Noronha, em parceria com a administração local, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a concessionária Econoronha. A retomada do programa estadual deve integrar dados de Noronha ao conjunto de informações do litoral continental, criando uma base unificada para análise de comportamento e migração das espécies.

O Cemit defende ações combinadas de educação, fiscalização e pesquisa. Entre as recomendações ao público estão evitar o mar após chuvas fortes, não entrar na água com ferimentos expostos, dispensar o uso de objetos metálicos que reflitam luz e manter distância de áreas de pesca. Pescadores, por sua vez, são orientados a descartar restos de pescado em pontos adequados, diminuindo a atração de tubarões para zonas de banho.

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Imagem: Últimas Notícias

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade estuda reforçar o efetivo de guarda-vidas e intensificar campanhas informativas durante o verão. Também avalia expandir o uso de drones para patrulhamento aéreo em horários de pico, solução já testada em outros estados brasileiros.

Impacto na comunidade

O ataque mobilizou moradores de Olinda e municípios vizinhos. Comerciantes de praia relatam queda no movimento logo após a divulgação do caso, enquanto associações locais pedem maior sinalização visual e sonora para turistas. Organizações não governamentais sugerem criar corredores seguros para banho, delimitados por redes ou barreiras naturais.

Familiares e amigos de Deivison participaram de uma cerimônia reservada na capital pernambucana. A escola onde estudava decretou luto oficial de três dias. Em nota, o governo do estado manifestou solidariedade e reforçou o compromisso com a adoção de medidas preventivas baseadas em evidências técnicas.

Especialistas em oceanografia ressaltam que o tubarão-cabeça-chata figura entre as espécies com maior tolerância a águas de baixa salinidade, frequentando estuários e rios próximos à costa. O comportamento territorial e a limitação de visibilidade em águas turvas aumentam o risco de interação com banhistas, especialmente no início da manhã e no fim da tarde, horários em que a maioria dos incidentes é registrada.

Com a implementação do novo programa de monitoramento, o estado espera preencher lacunas de dados dos últimos anos, identificar padrões sazonais e aprimorar alertas para a população. As informações obtidas deverão orientar políticas de gestão costeira e contribuir para reduzir a frequência de ataques em Pernambuco.

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