Uma menina de um ano permanece internada em Divinópolis (MG) depois de cair da cama e ter a ponta de um carregador de telemóvel cravada na testa. O acidente ocorreu na terça-feira, 4, enquanto a mãe foi ao banheiro. A criança passou por cirurgia de emergência no mesmo dia e, segundo avaliação médica, não apresenta sinais de dano neurológico.
Acidente doméstico em fração de segundos
De acordo com o neurocirurgião Bruno Castro, a menina segurava o carregador no momento da queda. Ao bater a cabeça no chão, o conector metálico atravessou a região frontal do crânio, próximo ao olho esquerdo, e ficou alojado no tecido cerebral. A posição do impacto evitou lesão ocular, mas poderia ter provocado perda de visão caso atingisse diretamente o globo ocular.
Castro explicou que crianças pequenas não possuem coordenação suficiente para subir ou descer de móveis com segurança, o que torna quedas frequentes dentro de casa. Ele reforçou que o crânio infantil é fino e mais suscetível a perfurações. “A maior parte dos acidentes acontece em ambientes domésticos por descuido momentâneo. O ideal é manter o bebê no chão, em área protegida, longe de objetos pontiagudos”, alertou.
Intervenção rápida evitou complicações
Após o socorro, a paciente foi encaminhada ao centro cirúrgico para remoção do objeto e limpeza da área afetada. O procedimento durou cerca de duas horas e envolveu equipe multidisciplinar. Segundo o médico, havia risco de hemorragia e de infecção, já que carregadores de celular acumulam germes e podem transportar bactérias para o sistema nervoso central.
Exames de imagem indicaram que o ferimento não comprometeu estruturas vitais. O estado geral da criança é estável e ela permanece sob observação na unidade de terapia intensiva pediátrica. O quadro será acompanhado nos próximos meses para monitorar possíveis cicatrizes cerebrais que, em longo prazo, podem desencadear crises convulsivas ou epilepsia.
Capacidade de recuperação infantil favorece prognóstico
Especialistas destacam que o cérebro de bebês possui alta neuroplasticidade, capacidade que amplia as chances de recuperação sem sequelas permanentes. Mesmo assim, o acompanhamento neurológico é considerado indispensável. “Traumas penetrantes no crânio podem gerar hemorragias tardias ou processos infecciosos, como meningite. A vigilância médica reduz esses riscos”, explicou o neurocirurgião.
Imagem: Internet
Para prevenir acidentes semelhantes, profissionais de saúde recomendam:
- Evitar deixar crianças pequenas sozinhas em camas, sofás ou trocadores de fraldas;
- Manter objetos duros ou pontiagudos fora do alcance dos bebês;
- Optar por áreas no chão, forradas com tapetes antiderrapantes ou colchonetes, quando for necessário afastar-se por instantes;
- Realizar inspeções periódicas em brinquedos e utensílios, descartando itens quebrados ou danificados.
No caso específico de itens eletrónicos, os médicos sublinham que cabos e carregadores devem ser guardados em locais elevados ou fechados, pois além do risco de perfuração, há perigo de choque elétrico caso o equipamento esteja ligado.
A família da menina não havia divulgado, até a publicação deste texto, previsão de alta. O hospital informou que novos exames serão feitos nos próximos dias para avaliar a evolução do quadro e decidir sobre o retorno ao lar.
Organizações pediátricas lembram que acidentes domésticos representam uma das principais causas de atendimento de emergência em menores de cinco anos no Brasil. Prevenção simples, como supervisão constante e adaptação de ambientes, pode evitar lesões graves como a relatada em Divinópolis.





