Bixiga celebra aniversário de São Paulo com samba e bolo coletivo

No domingo, 25 de janeiro de 2026, o bairro do Bixiga, na região central da capital paulista, manteve viva a tradição de comemorar o aniversário de São Paulo com música e distribuição de bolo à população. A celebração integra o calendário oficial desde 1986 e atrai moradores, comerciantes, turistas e voluntários, que se reúnem na Rua Rui Barbosa para cantar parabéns ao som de samba.

Tradição iniciada nos anos 1980

O costume foi criado há quatro décadas por Armando Puglisi, conhecido como Armandinho do Bixiga. Em 1986, ele convidou as “mamas” do bairro a trazerem bolos caseiros para festejar o aniversário da cidade na rua. A iniciativa cresceu rapidamente: em uma das primeiras edições, o bolo alcançou 1,5 km de comprimento, entrando para o Guinness Book como o maior bolo de aniversário do mundo. A ideia original previa acrescentar um metro de bolo a cada novo ano de São Paulo, acompanhando a idade da capital.

Com o falecimento de Armandinho, em dezembro de 1994, a responsabilidade passou para o amigo Walter Taverna, proprietário da cantina Conchetta. Taverna coordenou o evento até 2022, ano de sua morte. Desde então, a neta dele, Thais Taverna, assumiu a organização. “É uma tradição que passou de gerações e continuará com toda a comunidade”, declarou Thais durante a edição deste ano.

Modelo comunitário mantém festa viva

Na versão atual da comemoração, o formato mudou: em vez de um único bolo gigante, moradores, comerciantes e entidades culturais levam produções próprias, que são dispostas em mesas ao longo da via. O objetivo é reunir a mesma quantidade de bolos que o número de anos da cidade — em 2026, foram 472. Todos os pedaços são cortados por voluntários e entregues gratuitamente ao público.

Segundo a organização, o novo modelo reduz custos, facilita a logística e reforça o caráter coletivo da celebração. Voluntários utilizam luvas e utensílios padronizados para garantir segurança alimentar, enquanto equipes de limpeza se encarregam de recolher resíduos ao término da festa. A Guarda Civil Metropolitana faz o bloqueio parcial da rua, permitindo a passagem apenas de pedestres durante o evento.

Samba reúne público diverso

A parte musical fica a cargo de grupos de samba locais, que se apresentam desde as primeiras horas da manhã até o fim da tarde. As rodas de samba contam com músicos residentes no Bixiga e convidados de outros bairros, valorizando a vocação cultural do território — historicamente ligado à imigração italiana, ao surgimento de teatros independentes e à tradição do samba paulistano.

No intervalo das apresentações, representantes de associações culturais lembram a história do bairro. Entre os pontos citados estão o antigo Quilombo do Saracura e a influência dos imigrantes europeus na arquitetura e na gastronomia locais. “O Bixiga é um estado de espírito. Aqui as pessoas se cumprimentam na rua e mantêm viva a memória da cidade”, ressaltou Thais.

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Imagem: ultimas noticias

Impacto sociocultural e turístico

A festa do bolo mobiliza diferentes setores. Restaurantes servem cardápios especiais, hotéis registram aumento de reservas e artesãos comercializam souvenires temáticos. Para a Secretaria Municipal de Turismo, o evento contribui para distribuir o fluxo de visitantes além da região da Paulista, concentrando atividades em um bairro tradicional, mas menos explorado pelo turismo de massa.

Entidades assistenciais também participam. Instituições de acolhimento de idosos e de crianças em situação de vulnerabilidade levam grupos ao local, garantindo acessibilidade com rampas e áreas exclusivas para cadeirantes. A produção contabiliza ainda doações de bolos que excedem o consumo imediato, encaminhando o excedente a centros comunitários e abrigos.

Logística de segurança e limpeza

Para acomodar o público, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) liberou vias alternativas e instalou sinalização temporária. A Polícia Militar reforçou o policiamento ostensivo, enquanto agentes da Subprefeitura da Sé fiscalizaram vendedores ambulantes. A coleta seletiva foi organizada em parceria com cooperativas, que recolheram embalagens e materiais recicláveis ao longo do dia.

Até o fim da tarde, a organização não registrou ocorrências significativas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) permaneceu de prontidão, mas atendeu apenas casos leves, como indisposição pontual e necessidade de hidratação.

Com a edição de 2026 concluída, a equipe responsável já projeta a comemoração de 2027, quando São Paulo completará 473 anos. A expectativa é manter o formato descentralizado, estimular ainda mais a participação porta a porta e ampliar parcerias para patrocínio de materiais, som e segurança, mantendo viva a tradição iniciada por Armandinho há 40 anos.

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