O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encontrou, na manhã de sábado (31), uma criança de quatro anos que estava desaparecida desde a quinta-feira (29) na zona rural de Jeceaba, região Central do estado. A menina, que tem transtorno do espectro autista e não se comunica verbalmente, foi achada a cerca de dois quilómetros do ponto onde tinha sido vista pela última vez.
Localização após dois dias de procura
Um motociclista que circulava por uma estrada vicinal avistou a criança sentada à margem da via e acionou imediatamente o Corpo de Bombeiros. As equipas chegaram ao local poucos minutos depois e confirmaram que se tratava da menina procurada. Ela vestia as mesmas roupas do momento do desaparecimento, não apresentava ferimentos graves e estava consciente.
De acordo com os bombeiros, a criança não mostrava sinais de hipotermia nem de desidratação. Havia apenas escoriações leves provocadas pela vegetação. Ainda assim, os socorristas optaram por encaminhá-la ao Hospital Queluz, em Conselheiro Lafaiete, para avaliação médica completa.
Mobilização de moradores e forças de segurança
Cerca de 100 moradores da região participaram das buscas logo após o desaparecimento, ocorrido enquanto a menina passava temporada na casa da avó. Quando as tentativas iniciais não produziram resultados, a comunidade solicitou o apoio de órgãos de segurança. Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros mobilizaram equipas no mesmo dia.
No total, um perímetro de 78 hectares foi vasculhado. As equipas percorreram propriedades rurais, trilhas, áreas de mata fechada e terrenos alagados. Cães farejadores auxiliaram na procura, e drones com câmaras térmicas sobrevoaram a região durante a noite. A operação contou ainda com mapas topográficos para orientar o avançar das guarnições.
Desafios impostos pelo terreno e pelo clima
A geografia local dificultou as buscas. Encostas íngremes e escorregadias, campos de pastagem extensos e trechos de mata densa obrigaram os bombeiros a avançar lentamente. A chuva que caiu nos dois dias de operação aumentou o risco de deslizamentos e reduziu a visibilidade, tornando a procura mais complexa.
Apesar do mau tempo, a coordenação decidiu manter equipas em campo ininterruptamente, alternando turnos para cobrir o máximo de área possível. A presença dos drones equipados com sensores de calor compensou a redução de alcance visual provocada pela neblina e pela vegetação fechada.
Imagem: Internet
Detalhes do desaparecimento
A criança perdeu-se por volta das 15h de quinta-feira, quando saiu da residência da avó e caminhou por uma estrada que leva a uma área de mata. Testemunhas relataram que ela foi vista pela última vez nesse acesso rural. A família percebeu a ausência pouco depois e iniciou a procura, mas as condições do terreno impediram que avançassem além de trechos próximos à casa.
Segundo os bombeiros, o facto de a menina não falar e ter pouca percepção de perigo exigiu uma estratégia específica. As equipas optaram por circular a área em espiral, começando perto do ponto de desaparecimento e expandindo gradualmente o raio de busca. Esse método facilitou a cobertura sistemática do terreno e contribuiu para o desfecho positivo.
Estado de saúde e próximos passos
O Hospital Queluz informou, em nota, que a paciente passou por exames clínicos e laboratoriais de rotina. Os resultados preliminares indicam quadro estável; não foram identificadas lesões internas nem infecções. A menina permaneceu em observação por 24 horas antes de receber alta para continuar a recuperação junto à família.
A Polícia Civil abriu inquérito para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento, embora, até o momento, não haja indícios de crime. O objetivo é confirmar se a criança se afastou sozinha ou se recebeu ajuda de terceiros. Imagens de câmaras de segurança instaladas em propriedades vizinhas serão analisadas nos próximos dias.
Com o resgate bem-sucedido, o Corpo de Bombeiros destacou a importância da rápida mobilização comunitária e do uso de tecnologia em operações de busca. A corporação também recomendou a familiares de pessoas com deficiência que reforcem medidas de segurança, como vedações adicionais, supervisão constante e identificação visível, para reduzir o risco de novos incidentes.





