Dez pessoas morreram afogadas nas praias do litoral paulista nos primeiros dias de 2026, segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar). A corporação reforçou ações preventivas e divulgou recomendações para diminuir o risco de novos incidentes durante a alta temporada.
Mortes registradas no início do ano
Os óbitos ocorreram entre 1.º e 5 de janeiro. O caso mais recente envolveu uma criança de 10 anos em Praia Grande, na Baixada Santista. A vítima foi retirada do mar em estado grave, recebeu manobras de reanimação ainda na faixa de areia e foi encaminhada a uma unidade de saúde.
De acordo com a tenente Olívia Perrone Cazo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, 95% dos afogamentos fatais decorrem de correntes de retorno, fenômeno que puxa a água — e os banhistas — de volta para o fundo. “Muitos frequentadores não conseguem identificar as áreas perigosas; por isso, a sinalização deve ser respeitada”, alerta.
Até 31 de março, a Operação Praia Segura mantém reforço de efetivo em toda a costa paulista. Postos avançados, equipes de guarda-vidas e viaturas de resgate atuam de forma permanente nas regiões com maior fluxo de visitantes.
Principais recomendações de segurança
O Corpo de Bombeiros orienta que banhistas priorizem praias com estrutura de salvamento. O serviço on-line da corporação indica os pontos que contam com guarda-vidas em operação.
Entre as medidas destacadas estão:
- Respeitar placas e bandeiras instaladas pelos guarda-vidas. Se a área estiver sinalizada como perigosa, evite entrar.
- Limitar a profundidade até a altura do umbigo para reduzir o risco de ser arrastado por correntes.
- Evitar o mar sozinho e manter crianças sempre sob supervisão direta de um adulto responsável.
- Usar pulseiras de identificação e roupas chamativas em menores de idade para facilitar a localização em caso de emergência.
- Não tentar o resgate sem treinamento. A recomendação é avisar imediatamente um guarda-vidas ou acionar o telefone 193.
- Lançar objetos flutuantes — boias, isopor ou garrafas pet — à vítima até a chegada do socorro.
Rios, cachoeiras e represas
Em ambientes de água doce, os bombeiros recomendam evitar trechos com corredeiras e nunca ultrapassar a altura do joelho em rios aparentemente calmos, pois o nível pode subir de forma repentina. Em represas, a orientação é ter cuidado com vegetação submersa que pode prender braços ou pernas.
Quem utiliza embarcações ou motos aquáticas deve vestir colete salva-vidas durante todo o percurso.
Imagem: Internet
Piscinas exigem vigilância constante
Afogamentos infantis em piscinas ocorrem, na maioria das vezes, por distração dos responsáveis. Crianças não devem ficar sozinhas, mesmo em áreas rasas, e brinquedos devem ser retirados da borda para evitar quedas. A tenente Olívia lembra ainda que consumo de álcool compromete a capacidade de supervisão e aumenta o risco de acidentes, inclusive entre adultos e idosos.
Em caso de colisões ou quedas, vítimas podem perder a consciência debaixo d’água. Por isso, a orientação é manter atenção constante e, se necessário, iniciar imediatamente os procedimentos de primeiros socorros enquanto o serviço de emergência é acionado.
Como agir se for arrastado pela corrente
Especialistas aconselham manter a calma e não nadar contra a força da água. O procedimento recomendado é deslocar-se paralelamente à praia até sair da corrente de retorno e, em seguida, nadar em direção à areia. Pedir ajuda com gestos ou gritos também é fundamental para que guarda-vidas percebam a situação rapidamente.
Números de emergência
O Corpo de Bombeiros atende pelo telefone 193 em todo o estado. O contato pode ser feito por qualquer pessoa que presencie situação de risco ou precise de orientação imediata.
Com a temporada de verão em curso, autoridades reforçam que a prevenção continua a ser a principal forma de reduzir mortes por afogamento. Cumprir as orientações oficiais, reconhecer limites pessoais e respeitar as condições do ambiente são atitudes consideradas essenciais para um período de férias seguro.





