Bristol Myers une-se à Microsoft e impulsiona detecção precoce de câncer de pulmão com IA

Tecnologia e Inovação

A Bristol Myers Squibb formalizou um acordo com a Microsoft para integrar uma plataforma de radiologia baseada em inteligência artificial com o objetivo de acelerar o diagnóstico precoce do câncer de pulmão nos Estados Unidos.

Algoritmos aprovados pela FDA serão a base do projeto

O projeto utilizará algoritmos de IA já autorizados pela Food and Drug Administration (FDA) e disponíveis na Precision Imaging Network, infraestrutura de radiologia da Microsoft hospedada em nuvem. Essa rede analisa imagens de raios-X e tomografia computadorizada (TC) para identificar sinais de doenças pulmonares. Segundo as empresas, hospitais norte-americanos que já empregam a solução poderão estender o recurso às equipas clínicas da Bristol Myers sem necessidade de adaptações técnicas significativas.

De acordo com a farmacêutica, as ferramentas auxiliam a localizar nódulos pulmonares difíceis de visualizar em exames convencionais e a reconhecer pacientes em estágios iniciais da doença, quando as chances de tratamento bem-sucedido são maiores. A expectativa é que a combinação entre o conhecimento clínico da Bristol Myers e a infraestrutura de IA da Microsoft reduza o tempo entre a aquisição da imagem e a decisão terapêutica.

Uso crescente de IA na pesquisa e desenvolvimento farmacêutico

A aliança faz parte de uma tendência mais ampla no setor de ciências da vida, que recorre a modelos de IA para automatizar tarefas de pesquisa, triagem e desenvolvimento de medicamentos. As empresas acreditam que essas tecnologias podem tornar os ensaios clínicos mais eficientes, otimizar a seleção de alvos terapêuticos e acelerar o lançamento de novos tratamentos.

Na semana anterior, por exemplo, a AstraZeneca concluiu a aquisição da norte-americana Modella AI, especializada em soluções oncológicas baseadas em dados, visando exatamente esse tipo de ganho operacional. O interesse contínuo por IA no segmento atende à necessidade de encurtar prazos, reduzir custos de P&D e responder mais rápido a demandas médicas não atendidas.

Etapas e impacto esperado nos hospitais dos EUA

No curto prazo, a parceria entre Bristol Myers e Microsoft concentrar-se-á na implementação dos algoritmos em sistemas hospitalares já ligados à Precision Imaging Network. Profissionais de saúde receberão suporte técnico e treinamento para interpretar as análises geradas pela IA e integrá-las ao fluxo de trabalho existente.

A médio prazo, as empresas pretendem avaliar métricas como tempo de detecção de nódulos, número de casos identificados em estágio inicial e redução de diagnósticos tardios. Os dados recolhidos servirão de base para eventuais expansões da plataforma, tanto em termos geográficos quanto em outros tipos de câncer.

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Imagem: Internet

Embora nenhuma das companhias tenha divulgado estimativas financeiras ou cronogramas detalhados, ambas destacam o potencial de a tecnologia diminuir a carga sobre radiologistas, permitindo que exames sejam analisados com maior rapidez e consistência. Isso pode resultar em encaminhamentos mais ágeis e melhor prognóstico para os pacientes.

Por que focar no câncer de pulmão

O câncer de pulmão permanece entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Mesmo com avanços terapêuticos, muitos diagnósticos ainda ocorrem em fases avançadas, quando as opções de tratamento se tornam limitadas. Segundo a Bristol Myers, a detecção precoce é um fator crítico para elevar as taxas de sobrevivência, razão pela qual a empresa escolheu essa área para estrear a colaboração com a Microsoft.

A integração dos algoritmos aprovados pela FDA à rotina hospitalar também contorna barreiras regulatórias, pois os modelos já passaram por validações de segurança e eficácia. Dessa forma, a iniciativa concentra-se na adoção clínica e na mensuração de benefícios reais, evitando etapas prolongadas de aprovação.

Com a parceria, Bristol Myers Squibb e Microsoft reforçam a aposta em inteligência artificial como ferramenta estratégica para diagnóstico e tratamento oncológico, avançando na digitalização dos cuidados de saúde e no uso de dados para melhorar resultados clínicos.

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