Butantan inicia vacinação em dose única contra dengue em três cidades brasileiras

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O Ministério da Saúde deu início, neste sábado (17), à aplicação da nova vacina nacional de dose única contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan. O programa começou em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) para o público de 15 a 59 anos e será ampliado a Botucatu (SP) no domingo (18).

Imunização começa no fim de semana

A estratégia, definida pela pasta como “imunização acelerada”, pretende medir de forma rápida o impacto do imunizante na circulação do vírus. Os três municípios foram selecionados porque possuem entre 100 mil e 200 mil habitantes e contam com rede de saúde capaz de monitorar resultados clínicos e epidemiológicos.

No total, 204,1 mil doses já estão distribuídas: 60,1 mil para Maranguape, 64 mil para Nova Lima e 80 mil para Botucatu. A quantidade cobre toda a população‐alvo dessas localidades. A aplicação ocorre nas Unidades Básicas de Saúde e em pontos de vacinação montados em áreas estratégicas de cada cidade.

Segundo o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, especialistas acompanharão, durante um ano, a incidência da doença e possíveis eventos adversos raros. A metodologia replica a experiência conduzida em Botucatu em 2021, quando foi avaliada a efetividade de uma vacina contra a Covid-19.

Próximas etapas e expansão do programa

Concluída a vacinação em massa nos três municípios, o ministério prevê imunizar profissionais da atenção primária que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde. Estão reservadas 1,1 milhão de doses para médicos, enfermeiros, agentes comunitários e demais trabalhadores assim que os frascos estiverem disponíveis, o que deve ocorrer no início de fevereiro.

Para o público de 10 a 14 anos, permanece em vigor o esquema de duas doses da vacina japonesa já oferecida na rede pública. Esse imunizante, inicialmente restrito a áreas prioritárias, passou a ser distribuído em mais de 5.000 municípios brasileiros. A nova vacina do Butantan atenderá as demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme limites aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com a parceria de transferência de tecnologia entre o Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a produção local deve aumentar até 30 vezes, permitindo a expansão gradual da campanha a todo o país. A prioridade será avançar em grupos de maior idade, começando pelos 59 anos e recuando até atingir outros segmentos, de acordo com a disponibilidade de doses.

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Imagem: Internet

Por que esses municípios foram escolhidos?

Maranguape, Nova Lima e Botucatu apresentam características consideradas ideais pelos técnicos do ministério para avaliar o desempenho do novo imunizante: população controlável, infraestrutura de vigilância em saúde consolidada e incidência histórica de dengue que possibilita comparar resultados antes e depois da intervenção.

A presença de laboratórios de referência, capacidade de registro de casos e cobertura da atenção primária facilitarão a coleta de dados clínicos, sorológicos e epidemiológicos. Dessa forma, será possível medir não apenas a redução de casos e hospitalizações, mas também eventuais efeitos adversos raros que possam surgir após a aplicação em grande escala.

Logística e monitoramento

As secretarias municipais coordenam a distribuição dos frascos, que vêm acondicionados em temperatura entre 2 °C e 8 °C. Equipes multiprofissionais registram cada aplicação em sistema eletrônico, permitindo ao Ministério da Saúde acompanhar em tempo real a adesão da população e a ocorrência de notificações de eventos pós‐vacinação.

Ao longo dos próximos 12 meses, o Instituto Butantan e universidades parceiras coletarão amostras de sangue para verificar a produção de anticorpos e a duração da proteção conferida. Relatórios parciais serão entregues trimestralmente, servindo de base para decisões sobre a ampliação do calendário vacinal e definição de grupos prioritários em 2025.

A dengue registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis no Brasil em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde. A combinação de novo imunizante, monitoramento intensivo e aumento da produção visa reduzir esse número de forma significativa, começando pelos três municípios‐piloto e avançando para o restante do país conforme a oferta de doses se consolide.

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