Captura de Maduro pelos EUA gera protestos e comemorações em diversos países

Nicolás Maduro foi detido por forças norte-americanas na madrugada de sábado (3) e levado, com a primeira-dama Cilia Flores, para ser julgado nos Estados Unidos por suposto envolvimento com tráfico internacional de drogas. A operação desencadeou uma série de manifestações pelo mundo, dividindo venezuelanos no exterior e moradores de diferentes nações entre críticas ao intervencionismo e celebrações pela queda do presidente.

Reações nas capitais latino-americanas e na Europa

Atos públicos foram registados em Bogotá, Lima, Quito e Madrid, onde grupos de migrantes venezuelanos se reuniram para exibir bandeiras, cartazes e cânticos, ora apoiando, ora reprovando a ação militar norte-americana. Na capital espanhola, cerca de 400 mil venezuelanos residem atualmente, segundo dados oficiais. Entre eles, Andrés Losada, há três anos no país, afirmou sentir “preocupação e alegria” simultâneas, acreditando que o episódio possa abrir caminho para mudanças políticas em Caracas.

Na Cidade do México, simpatizantes e opositores confrontaram-se em frente às embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos. A polícia local formou cordão de isolamento para impedir que o debate verbal evoluísse para confrontos físicos. Cartazes denunciando “intervenção estrangeira” dividiram espaço com faixas que agradeciam aos EUA pela captura de Maduro.

Em Buenos Aires, dois grupos escolheram pontos diferentes para expressar posições opostas. Organizações sociais e venezuelanos contrários à ofensiva concentraram-se diante da representação diplomática norte-americana, enquanto apoiadores do afastamento do presidente reuniram-se no Obelisco, tradicional marco da capital argentina, para celebrar o que consideram “libertação” do regime chavista.

Nos próprios Estados Unidos também houve mobilizações. Cidades como São Francisco e Nova Iorque acolheram protestos contra a intervenção militar, paralelamente a concentrações de imigrantes venezuelanos que aplaudiram a decisão de Washington.

Impacto sobre a diáspora venezuelana

Desde 2014, cerca de 20 % da população da Venezuela deixou o país. Segundo a plataforma R4V, principal rede de organizações de assistência a migrantes da região, a Colômbia acolhe atualmente 2,8 milhões de venezuelanos, e o Peru, 1,7 milhão. A Espanha aparece em seguida, com aproximadamente 400 mil.

Em Quito, a venezuelana Maria Fernanda Monsilva disse esperar que o principal candidato da oposição para a eleição presidencial de 2024, Edmundo González, assuma o poder. “Muitos de nós que estamos fora queremos voltar”, afirmou, apontando a mudança de governo como condição para o retorno.

A diáspora acompanha igualmente a decisão dos EUA de “administrar a Venezuela até que seja possível realizar uma transição segura”, conforme comunicado oficial. O presidente Donald Trump declarou que empresas norte-americanas passarão a comandar o setor petrolífero venezuelano, dono das maiores reservas provadas de petróleo e gás do mundo.

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Imagem: Últimas Notícias

Resposta interna na Venezuela

Em Caracas, manifestantes reuniram-se para denunciar o que chamam de “invasão” e “roubo” de recursos nacionais. O morador José Hernandez qualificou a operação como “criminosa” e apelou para que outros países repudiem a iniciativa dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano determinou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assuma a presidência interina, contrariando a declaração norte-americana de que Washington controlará o país até a conclusão da transição. A medida busca manter a continuidade institucional internamente, ainda que o poder de facto esteja em disputa.

Próximos passos e cenário geopolítico

Com Maduro sob custódia nos EUA e um vácuo de poder em Caracas, especialistas avaliam que a Venezuela pode enfrentar um período de incertezas, marcado por tensões entre órgãos locais e autoridades estrangeiras. A intenção declarada de Washington de gerir o setor petrolífero amplia a preocupação sobre soberania e acesso a divisas, fatores vitais para a economia venezuelana.

No campo diplomático, países da região debatem possíveis medidas para mediar a transição. Ao mesmo tempo, organizações internacionais monitoram o fluxo de migrantes, prevendo eventual aumento caso a instabilidade se prolongue.

Do lado da população, tanto dentro quanto fora do país, cresce a expectativa por definições claras sobre quem governará e quais serão os rumos económicos e sociais. Entre protestos e celebrações, a comunidade venezuelana espalhada pelo globo mantém olhos atentos aos desdobramentos que podem determinar se, e quando, será possível regressar a um país em transformação.

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