A colisão entre uma carreta carregada com queijo e uma van de passageiros causou a morte de seis pessoas e deixou outras 16 feridas na madrugada desta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, na BR-116 (rodovia Régis Bittencourt), em Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba. A informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela concessionária Arteris, responsável pelo trecho.
Dinâmica do acidente
O choque ocorreu por volta das 3h45 no quilómetro 4,5 da rodovia, próximo à divisa com o estado de São Paulo. De acordo com o relato prestado à PRF pelo condutor da carreta, ele seguia em direção a São Paulo quando foi interceptado por um outro caminhão ocupado por assaltantes. Os criminosos teriam tomado o controle do veículo e regressado no sentido Curitiba.
Segundo o depoimento, pouco depois de iniciar o retorno, o sistema de bloqueio automático do caminhão foi acionado numa subida, imobilizando o veículo. Os assaltantes, irritados, teriam obrigado o motorista a descer e, em seguida, liberado o travão de estacionamento. Sem controle, a carreta recuou na pista e atingiu a van que trafegava logo atrás.
A van transportava fiéis de Campo Largo que voltavam de um culto religioso realizado na região do Brás, na capital paulista. Todas as vítimas fatais e os feridos estavam dentro do veículo de passageiros.
Atendimento às vítimas e situação da rodovia
Equipes do Corpo de Bombeiros, da concessionária Arteris e da PRF foram mobilizadas imediatamente. Os 16 feridos foram encaminhados a hospitais da região metropolitana de Curitiba, com graus de lesão que variam de moderados a graves. Os corpos das seis vítimas fatais foram removidos para o Instituto Médico-Legal.
A carga de queijo transportada pela carreta espalhou-se pela pista, exigindo limpeza e remoção para liberar o tráfego. Durante a manhã, apenas a faixa da direita permaneceu aberta nos dois sentidos, enquanto as faixas da esquerda continuaram bloqueadas para trabalho das equipes de resgate e perícia. Às 8h00, o congestionamento no sentido sul alcançava cerca de 3 km.
Investigações em andamento
A PRF instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do crime e do acidente. Além do depoimento do motorista da carreta, serão analisadas imagens de câmaras de segurança instaladas em pontos próximos da rodovia, bem como dados do sistema de rastreamento do caminhão. Até o momento, os assaltantes não foram localizados.
Imagem: Internet
Os investigadores pretendem esclarecer se a liberação do travão de estacionamento foi deliberada ou motivada por falta de conhecimento dos criminosos sobre o funcionamento do veículo. Também serão verificados eventuais indícios de falha mecânica que possam ter contribuído para a perda de controle.
Reflexos na segurança viária
A colisão reacende o debate sobre segurança no transporte rodoviário de cargas, sobretudo em trechos sujeitos a roubos de mercadorias. A região da Régis Bittencourt, que liga Paraná a São Paulo, é considerada estratégica para o escoamento de produtos e, por consequência, alvo frequente de ações criminosas. Motoristas de longa distância reforçam a necessidade de medidas preventivas, entre elas maior patrulhamento, pontos de apoio seguros e sistemas de bloqueio que não exponham condutores e outros usuários da estrada.
Especialistas em trânsito alertam que veículos desgovernados representam alto risco de colisões em cadeia, principalmente durante a madrugada, quando a visibilidade é reduzida e o reflexo dos condutores tende a ser mais lento. Para a Fenatran (Federação Nacional do Transporte Rodoviário), a adoção de tecnologias de frenagem automática aliada a rotas monitorizadas pode minimizar ocorrências semelhantes.
Próximos passos
A rodovia deve permanecer parcialmente interditada até a conclusão dos trabalhos periciais. A Arteris recomenda que motoristas redobrem a atenção ao passar pelo quilómetro 4,5 e planeiem rotas alternativas sempre que possível. A PRF informará novos detalhes assim que o inquérito avançar e divulgará orientações adicionais para prevenir incidentes na região.





