A autoridade reguladora chinesa aprovou, pela primeira vez, a importação do chip de inteligência artificial H200 da Nvidia, liberando a venda de várias centenas de milhares de unidades para clientes locais. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, o lote inicial equivale a aproximadamente US$ 10 bilhões e será distribuído entre grandes companhias de tecnologia, como Alibaba e ByteDance. A decisão ocorre no momento em que o diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, visita o país.
Aprovação coincide com visita de Jensen Huang
Huang desembarcou na China na sexta-feira, 23, e passou por Xangai, Pequim e Shenzhen, cidades onde a Nvidia mantém escritórios. Durante a estadia, o executivo participou de eventos internos e chegou a distribuir kumquats a colaboradores, gesto associado a prosperidade na cultura local. Fontes ouvidas indicam que ele não se encontrou com autoridades de alto escalão nesta viagem.
A liberação de compras do H200 representa um avanço após meses de incerteza regulatória. Em 2023, Washington autorizou a venda do chip para empresas chinesas, mas dependia da concordância de Pequim para que as transações fossem concluídas. O sinal verde foi concedido agora, ainda antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, prevista para abril.
Política dual: incentivar produção local e garantir acesso a tecnologia
Para receber permissão de compra, as companhias chinesas apresentaram relatórios detalhando como pretendem utilizar os chips. As autoridades estabeleceram que as aquisições devem atender necessidades específicas, como pesquisa e desenvolvimento avançados de IA. Além disso, determinaram que parte das cargas de trabalho — especialmente as relacionadas à inferência, fase em que o modelo treinado gera resultados — seja executada em semicondutores fabricados no país.
A estratégia reflete objetivos concorrentes de Pequim: acelerar o progresso de desenvolvedores de IA com hardware de última geração e, ao mesmo tempo, fortalecer uma indústria doméstica de semicondutores ainda em consolidação. Nos últimos anos, fabricantes chineses registraram avanços, mas não conseguiram igualar o desempenho dos chips de ponta produzidos nos Estados Unidos. Esse cenário levou empresas locais a recorrer a alternativas, como o agrupamento de unidades menos potentes para aumentar capacidade computacional.
Antecedentes do impasse e próximos movimentos
O atual acordo desfaz um bloqueio iniciado em abril passado, quando os EUA proibiram a venda do H20 — versão menos poderosa do H200 desenvolvida para o mercado chinês. A medida foi revertida posteriormente, mas as autoridades chinesas mantiveram restrições alegando preocupações de cibersegurança, contestadas pela Nvidia. Em outubro, após reunião entre Trump e o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul, Washington autorizou a comercialização do H200, impondo a exigência de manter estoque adequado nos EUA e de os compradores adotarem procedimentos de segurança antes do envio.
Imagem: Tecnologia Inovação Notícias
A espera pela definição regulatória reduziu a participação da Nvidia no mercado chinês de unidades gráficas para IA de 95% a zero, segundo estimativa apresentada por Huang em outubro. Durante o hiato, concorrentes locais se apressaram a preencher a lacuna, impulsionando a valorização de ações de empresas de semicondutores e inteligência artificial chinesas.
Especialistas em pesquisa alertam que o acesso limitado a componentes de alto desempenho pode ampliar a distância entre os ecossistemas de IA de China e Estados Unidos. A aprovação do H200, porém, oferece às empresas chinesas a possibilidade de treinar modelos mais sofisticados enquanto persistem investimentos em soluções nacionais.
Após concluir a visita à China, Jensen Huang deve seguir para Taiwan, onde discutirá com fornecedores a expansão da produção do H200 para atender à nova procura. Fontes indicam que outras remessas poderão ser aprovadas nas próximas semanas, consolidando o fornecimento do chip e redefinindo o panorama competitivo do setor de inteligência artificial na região.





