Choque elétrico em piscina de pousada de luxo mata mãe e filho em Maragogi

Uma turista de 39 anos e o filho de 11 morreram após sofrerem uma descarga elétrica na piscina de uma pousada de alto padrão em Maragogi, litoral norte de Alagoas. O incidente ocorreu no domingo (4) e, inicialmente, foi tratado como afogamento, mas laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou que as vítimas foram eletrocutadas.

O que aconteceu na pousada

A família, proveniente de São Paulo, havia acabado de chegar ao estabelecimento quando percebeu que o chuveiro elétrico do quarto não funcionava. Enquanto o companheiro da mulher procurava a administração para relatar o problema, a mãe, identificada como Luciana Klein Helfstein, e o filho, Arthur Klein Helfstein Alves, seguiram para a área externa onde fica a piscina.

Após notar a ausência dos dois, o homem retornou ao espaço aquático e encontrou mãe e filho submersos no fundo da piscina. Outros hóspedes ajudaram a retirar as vítimas da água e tentaram manobras de reanimação. O Corpo de Bombeiros foi acionado e levou os dois a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região, onde os óbitos foram confirmados.

Autópsia confirma descarga elétrica

Exames cadavéricos realizados pelo IML apontaram “sinais claros” de passagem de eletricidade pelos corpos. Com base nesses resultados, os peritos descartaram a hipótese inicial de afogamento e concluíram que a causa das mortes foi choque elétrico.

Os corpos foram liberados e transportados para São Paulo, onde o velório e o sepultamento estão marcados para a manhã desta quarta-feira (7).

Investigação analisa estrutura e câmeras

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar responsabilidades. Equipes da Polícia Científica realizaram, na terça-feira (6), perícia complementar na instalação elétrica da pousada, incluindo testes nos sistemas de aterramento, bombas de circulação da piscina, iluminação subaquática e quadro de distribuição.

Além da análise técnica, investigadores recolheram imagens do circuito interno de videomonitoramento que cobrem a área da piscina. O objetivo é verificar o momento em que as vítimas entram na água e se há indícios de falhas ou curto-circuito visíveis. Os laudos periciais serão anexados ao inquérito e encaminhados ao delegado responsável.

Posicionamento do empreendimento

Em nota enviada à imprensa, a Almaré Pousada Exclusiva declarou ter tomado “todas as providências cabíveis” assim que o acidente foi percebido, acionando serviços de emergência e prestando assistência à família. O estabelecimento afirmou colaborar integralmente com as autoridades e aguardar o resultado oficial das investigações.

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Imagem: Internet

Próximos passos legais

Após receber os laudos, a Polícia Civil poderá enquadrar eventuais responsáveis por homicídio culposo, caso seja comprovada negligência na manutenção das instalações elétricas. O Ministério Público de Alagoas também acompanha o caso e pode propor medidas administrativas ou criminais contra a pousada.

De acordo com especialistas em segurança, piscinas equipadas com iluminação subaquática e sistemas de bombeamento devem possuir aterramento adequado e dispositivos diferenciais residuais (DR) para interromper a corrente elétrica em milissegundos, evitando acidentes fatais.

Risco elétrico em áreas molhadas

Ambientes com água potencializam a condução de eletricidade, aumentando o perigo de choques. Normas técnicas brasileiras estabelecem padrões de instalação e manutenção que incluem inspeções periódicas e uso de equipamentos de proteção. Falhas nesses requisitos podem transformar piscinas em pontos de alto risco, principalmente para crianças.

A conclusão da investigação definirá se houve irregularidade na estrutura elétrica da pousada ou se algum componente sofreu dano pontual que ocasionou a descarga. A família das vítimas pode ingressar com ação civil por danos morais e materiais, independentemente do processo criminal.

Até a finalização do inquérito, a pousada segue operando, mas sob fiscalização reforçada dos órgãos competentes. A tragédia reacende o debate sobre a necessidade de inspeções mais rigorosas em estabelecimentos turísticos que oferecem áreas de lazer molhadas.

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