Chuva concentrada e obra atrasada explicam alta de mortes em SP, afirma Nunes

A Prefeitura de São Paulo já contabiliza quatro mortes relacionadas a temporais desde dezembro de 2023, número que ultrapassa os três óbitos registados em todo o verão anterior. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) atribui o aumento a precipitações intensas em áreas específicas e ao adiamento na construção de um reservatório contratado em 2015.

Prefeito responsabiliza chuvas localizadas

Segundo Nunes, os temporais recentes concentram-se em intervalos curtos e em regiões limitadas da capital, dificultando a resposta imediata dos sistemas de drenagem. Como exemplo, o prefeito citou o alagamento que, em 25 de janeiro, causou a morte de Romeu Maccione Neto, 75 anos, na Vila Guilherme, zona norte. Na ocasião, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registou 66,8 mm de chuva em uma hora no Jaçanã, enquanto a média do município foi de 12 mm no mesmo período.

Para Nunes, a “grande quantidade de água em espaço e tempo reduzidos”, associada a mudanças climáticas, torna inadequada a comparação entre totais pluviométricos diários ou mensais de toda a cidade. O prefeito também contestou análises de especialistas que, em entrevistas à imprensa, afirmaram não haver diferença significativa entre o volume das chuvas deste verão e o do anterior.

Reservatório iniciado em 2022 ainda sem entrega

Além da intensidade das precipitações, o chefe do Executivo municipal apontou a demora nas obras de um piscinão no córrego Água dos Brancos, próximo à avenida Ellis Maas, como fator que agrava os alagamentos na zona sul. O projeto, avaliado em R$ 179 milhões, foi contratado em 2015 pela gestão de Fernando Haddad (PT) e faz parte do prolongamento da avenida Carlos Caldeira Filho.

Os trabalhos começaram apenas em 2022. Conforme o contrato, a conclusão estava prevista para o segundo semestre de 2023, prazo que não foi cumprido. Nunes declarou que a administração atual “retomou” o empreendimento em 2023 com um aporte de quase R$ 200 milhões. Ele atribuiu o atraso a três fatores: inexistência de desapropriações necessárias, pagamentos a proprietários pendentes e rochas encontradas durante a escavação.

O transbordamento do córrego do Morro do S, na Vila Andrade, zona sul, foi apontado pelo prefeito como exemplo do impacto da obra inacabada. Em 16 de janeiro, o casal Marcos da Mata Ribeiro, 68 anos, e Maria Deusdete, 67 anos, morreu quando o veículo em que estavam foi arrastado pela enchente. O local fica na área que seria beneficiada pelo reservatório.

Dados pluviométricos reforçam preocupação

Até 26 de janeiro, o CGE registrou 211,2 mm de chuva na cidade, o equivalente a 82,4% da média histórica de 256,4 mm para todo o mês. O acumulado eleva o risco de alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos de terra, especialmente em bairros com drenagem deficitária.

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Imagem: Internet

Das quatro mortes confirmadas nesta temporada, três resultaram de inundações. A quarta, ocorrida em 10 de dezembro, envolveu Claudineia Perri Castiglioni, 54 anos, atingida por um muro derrubado por ventania. Embora não esteja ligada diretamente a alagamentos, a ocorrência foi contabilizada pela Defesa Civil como consequência de evento climático extremo.

Confronto político sobre responsabilidades

Questionada sobre as declarações de Nunes, a equipa do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respondeu que o prefeito “quer reviver 11 anos atrás”, refutando a tese de responsabilidade exclusiva da gestão anterior. O embate evidencia a disputa por narrativas em torno da infraestrutura de macrodrenagem na capital.

Nunes sustenta que a Prefeitura avançou nas desapropriações, pagou indenizações e iniciou demolições para permitir a continuidade do projeto. Ele reforçou que realizar sondagens em solo com rochas exigiu adaptações técnicas e prolongou o cronograma. Não foi apresentada nova data de entrega.

Mortes nas chuvas em números

• Verão 2022/2023: 3 óbitos
• Desde dezembro de 2023: 4 óbitos
• Ocorrências fatais recentes:
 – 10 dez/23: queda de muro (ventania)
 – 16 jan/24: casal arrastado em Vila Andrade
 – 25 jan/24: idoso afogado em Vila Guilherme

Com o pico do período chuvoso previsto para fevereiro, o CGE mantém as equipes em alerta para novos episódios de chuva intensa. A Prefeitura afirma priorizar intervenções emergenciais, limpeza de bueiros e monitoramento de córregos, enquanto busca concluir o reservatório considerado fundamental para reduzir enchentes na zona sul.

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