Florianópolis, 2 de fevereiro de 2026 — A Defesa Civil de Santa Catarina mantém alerta para a formação de um ciclone extratropical que se intensifica sobre o estado e deve provocar chuva volumosa, rajadas de vento, descargas elétricas, granizo e alagamentos pontuais nas próximas horas.
Fenómeno meteorológico ganha força
De acordo com comunicado divulgado na última sexta-feira (30), o órgão estadual antecipou a chegada do sistema entre esta segunda-feira (2) e a próxima quarta-feira (4). As imagens de satélite e as leituras de pressão atmosférica indicam que o centro de baixa pressão se organiza próximo à Região Sudeste, deslocando-se em direção ao litoral catarinense.
Na madrugada de terça-feira (3), a tendência é de intensificação dos temporais, sobretudo entre o Litoral Norte e a Grande Florianópolis. A previsão aponta para precipitação persistente — cenário diferente do registado no fim de semana, quando as instabilidades foram passageiras. A meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil, explicou que a combinação de umidade elevada, aquecimento e ventos mais fortes em diferentes níveis da atmosfera contribui para o avanço do ciclone.
Riscos apontados pela Defesa Civil
O alerta emitido pelo órgão projeta que a duração inicial dos temporais seja de duas a três horas, mas ressalta que a chuva poderá se estender e ganhar intensidade ao longo do novo dia. Entre os principais riscos associados, a Defesa Civil lista:
• Alagamentos e enxurradas: acumulados elevados de precipitação podem sobrecarregar sistemas de drenagem, gerando pontos de inundação, em especial em áreas urbanas de baixa altitude;
• Deslizamentos: a saturação do solo nas encostas aumenta a possibilidade de movimentos de massa;
• Rajadas de vento: correntes podem ultrapassar valores típicos para a época, provocando quedas de galhos e interrupções pontuais no fornecimento de energia;
• Granizo: núcleos de maior intensidade mantêm potencial para queda de pedras de gelo de forma localizada;
• Descargas elétricas: a instabilidade atmosférica favorece a ocorrência de raios em todas as regiões citadas.
Áreas mais afetadas
O impacto inicial concentra-se no Litoral Sul e na Grande Florianópolis, mas o prognóstico inclui expansão gradual dos núcleos de tempestade para o Vale do Itajaí e porções mais a leste do estado. Nessas regiões, a Defesa Civil indica que a atividade convectiva pode repetir-se em caráter isolado, porém ainda acompanhada de condições severas.
Imagem: Últimas Notícias
Contexto e próximas horas
O ciclone extratropical é um sistema típico dos meses de transição no Sul do Brasil e costuma surgir a partir de contrastes de temperatura entre o continente e o oceano. No episódio atual, esses contrastes foram reforçados pela presença de uma área de baixa pressão que ganhou organização durante o fim de semana. A partir da tarde desta segunda-feira, o aquecimento superficial, associado ao fluxo contínuo de umidade, cria as condições necessárias para manter a atmosfera instável.
Enquanto o sistema migra em direção ao mar, a circulação de ventos sobre Santa Catarina favorece a convergência de umidade, mantendo a precipitação no litoral e zonas vizinhas. A Defesa Civil alerta que, mesmo após a passagem do núcleo mais forte, a retaguarda do ciclone ainda poderá provocar chuvas adicionais até pelo menos quarta-feira (4).
Monitoramento contínuo
Os técnicos estaduais seguem monitorando imagens de radar e dados de estações meteorológicas automáticas. Novos avisos podem ser emitidos caso haja mudanças no comportamento do sistema. A recomendação é acompanhar os boletins oficiais durante todo o período de vigência do alerta.





