O Comitê Olímpico do Brasil (COB) confirmou nesta sexta-feira (9) os cinco atletas que passarão a integrar o Hall da Fama da entidade em 2026. A lista reúne nomes decisivos para a história do desporto nacional: o ex-basquetebolista Oscar Schmidt; a dupla do voleibol de praia Ricardo Santos e Emanuel Rego; e os velejadores Alex Welter e Lars Björkström.
Instituído em 2018, o Hall da Fama do COB preserva a memória de figuras que impulsionaram resultados expressivos no cenário olímpico. Com os novos eleitos, o espaço passará a contar com 39 personalidades. A cerimónia de inclusão, na qual os homenageados deixarão impressões de mãos e pés em moldes de gesso, terá data e local divulgados em breve.
Escolha definida por comissão especializada
A seleção dos nomes foi conduzida por uma comissão avaliadora que se reuniu no dia 10 deste mês. O grupo considerou currículo olímpico, impacto na modalidade e legado deixado para o movimento esportivo. De acordo com o presidente do COB, Marco La Porta, a iniciativa reforça o compromisso de eternizar trajetórias que continuam a inspirar novas gerações de atletas.
Desde a estreia do Hall da Fama, o COB adotou o mesmo critério de valorização de conquistas Olímpicas e serviço prestado ao desporto. As primeiras homenagens contemplaram Jackie Silva e Sandra Pires (vôlei de praia), Torben Grael (vela) e Vanderlei Cordeiro (maratona). Em 2025, foram escolhidos Daiane dos Santos, Edinanci Silva, Gustavo Kuerten e Afrânio Costa (in memoriam).
Perfis dos novos imortais olímpicos
Oscar Schmidt – basquetebol
Conhecido como “Mão Santa”, Oscar detém recorde brasileiro de participações consecutivas em Jogos Olímpicos: Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. É o único atleta a superar a marca de 1 000 pontos na competição, façanha que o levou aos Halls da Fama da FIBA e da NBA. Nascido em Natal (RN), foi incluído pela revista SLAM entre os 100 maiores jogadores de todos os tempos, sem ter atuado na liga norte-americana.
Ricardo Santos e Emanuel Rego – voleibol de praia
A dupla conquistou o ouro nos Jogos de Atenas 2004 e voltou ao pódio em Pequim 2008 com a medalha de bronze. Uma temporada antes do primeiro título olímpico, os dois já haviam erguido o troféu de campeões mundiais (2003). Entre 2001 e 2010 somaram cinco títulos do Circuito Mundial e, em 2007, ganharam o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. A consistência de resultados foi determinante para consolidar o voleibol de praia brasileiro como potência na modalidade.
Alex Welter e Lars Björkström – vela
Os velejadores fizeram história ao obter a primeira medalha de ouro do Brasil na vela olímpica, classe Tornado, nos Jogos de Moscou 1980. O resultado encerrou um jejum de 24 anos sem pódios brasileiros na competição. Parceiros desde 1976, mantiveram presença frequente em campeonatos mundiais e, depois da aposentadoria, atuaram como voluntários na Rio 2016. Hoje são reconhecidos como os campeões olímpicos vivos mais antigos do país.
Imagem: Ultimas Notícias
Impacto no panorama esportivo nacional
As conquistas dos cinco atletas elevaram o perfil do desporto brasileiro em diferentes épocas. Oscar liderou gerações no basquetebol e fixou a seleção masculina entre as favoritas nos anos 80 e 90. Welter e Björkström abriram caminho para o domínio brasileiro na vela, ampliado posteriormente por Torben Grael e Robert Scheidt. Já Ricardo e Emanuel estabeleceram parâmetros de excelência no circuito profissional de voleibol de praia, formando talentos que mantêm o Brasil entre as nações mais vitoriosas da modalidade.
Segundo o COB, o reconhecimento em vida é parte fundamental da missão do Hall da Fama. Ao destacar trajetórias que combinam resultados, longevidade e espírito olímpico, a entidade pretende inspirar gestores, treinadores e atletas envolvidos nos ciclos de Paris 2024 e Los Angeles 2028. Os organizadores afirmam que a exibição permanente dos moldes permite aproximar o público das histórias e valores de cada homenageado.
Cronologia e próximos passos
O protocolo da cerimónia prevê a chegada dos homenageados ao espaço de exposições, seguida de breve apresentação da comissão julgadora. Em seguida, os atletas assinarão o Livro de Honra e, na presença de convidados, farão as impressões que serão exibidas na sede do COB, no Rio de Janeiro. As imagens captadas durante o evento serão integradas ao acervo multimédia disponível nas plataformas digitais da entidade.
Com a nova atualização, o Hall da Fama consolida-se como um dos principais projetos de preservação da memória esportiva no país. A cada ano, o COB planeia incluir de quatro a seis nomes, mantendo critérios técnicos e histórico olímpico como pilares da seleção.
Os detalhes logísticos da cerimónia serão divulgados nas próximas semanas, incluindo data, horário e protocolo de imprensa. Até lá, os atletas serão orientados sobre o processo de confecção de moldes, que utiliza material especial para garantir durabilidade de dezenas de anos.





