Novo conversor giroscópico garante eficiência recorde na geração de energia das ondas

Tecnologia e Inovação

Um dispositivo desenvolvido na Universidade de Osaka, no Japão, alcançou eficiência máxima ao transformar o movimento das ondas do mar em eletricidade. A tecnologia, batizada de “conversor giroscópico de energia das ondas”, foi criada pelo professor Takahito Iida para contornar a variação constante das condições oceânicas, um dos maiores obstáculos desse setor.

Princípio de funcionamento

O sistema baseia-se em um volante giratório instalado dentro de uma estrutura flutuante. O componente principal é um giroscópio que detecta, em tempo real, as características das ondas. Quando o corpo flutuante sobe e desce, o volante é submetido a uma força externa e responde por meio da precessão giroscópica — movimento que altera o eixo de rotação do disco. Essa mudança aciona o gerador acoplado, convertendo a energia mecânica em eletricidade.

Segundo Iida, os conversores tradicionais mantêm bom desempenho apenas em faixas estreitas de frequência. Já o modelo giroscópico pode adaptar-se rapidamente, bastando ajustar a velocidade de rotação do volante e do gerador. Esse controle dinâmico permite absorver a potência disponível em praticamente qualquer padrão de onda.

Ajustes dinâmicos elevam a eficiência

Em testes laboratoriais e análises teóricas, o pesquisador avaliou a interação entre o mar, a estrutura flutuante e o giroscópio. O estudo identificou os parâmetros ideais para que o sistema permaneça próximo da frequência de ressonância — ponto em que a transferência de energia é mais elevada. Quando regulado corretamente, o conversor atinge o limite máximo de eficiência previsto pela teoria da energia das ondas.

Esse resultado é relevante porque demonstra que o desempenho recorde não fica restrito a uma condição específica do oceano. A mesma eficiência pode ser mantida em ampla faixa de frequências, algo que dispositivos anteriores não conseguiam oferecer de forma consistente.

Desafio histórico das energias marinhas

Fontes renováveis baseadas em ondas são abundantes, mas historicamente enfrentam variações de amplitude, direção e período. Equipamentos convencionais costumam operar em eficiência reduzida fora do regime para o qual foram otimizados. A proposta de Iida supera esse entrave ao permitir ajustes em tempo real sem demandar componentes externos complexos.

“Os dispositivos de energia das ondas frequentemente enfrentam dificuldades porque as condições oceânicas estão em mudança constante. Um sistema giroscópico pode ser controlado de forma a manter alta absorção de energia, mesmo com a variação da frequência das ondas”, afirmou o pesquisador durante a apresentação dos resultados.

Novo conversor giroscópico garante eficiência recorde na geração de energia das ondas - Imagem Ilustrativa

Imagem: Imagem Ilustrativa

Perspectivas de aplicação

Embora o estudo concentre-se na validação do conceito e na modelagem de desempenho, a equipe avalia a construção de protótipos em escala real para testes marítimos prolongados. Caso os resultados de laboratório se confirmem no ambiente oceânico, o conversor giroscópico poderá integrar fazendas de energia marinha ou ser instalado em plataformas isoladas para abastecimento local.

A pesquisa não divulga prazos de comercialização nem custos estimados, mas indica que o mecanismo dispensa mudanças estruturais significativas quando comparado a coletores tradicionais. A principal diferença reside no giroscópio controlado por sensores, elemento que, segundo a equipe, pode ser produzido com tecnologias industriais já consolidadas.

Limite teórico alcançado

O trabalho reforça a viabilidade de se atingir o limite teórico de extração de energia de ondas, considerado por especialistas como barreira fundamental do setor. A demonstração de eficiência máxima em múltiplas frequências amplia as perspectivas para projetos comerciais, reduzindo a dependência de previsões climáticas precisas e diminuindo períodos de inatividade.

Com o avanço, o conversor giroscópico posiciona-se como alternativa para diversificar a matriz renovável global, ao lado de fontes solares e eólicas. A confirmação do desempenho em condições reais de mar aberto será o próximo passo para medir durabilidade, custos de manutenção e impacto ambiental.

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