Curva térmica universal revela limites da adaptação de todas as espécies

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Cientistas da Faculdade Trinity de Dublin, na Irlanda, identificaram uma curva universal de desempenho térmico que descreve como organismos de todos os reinos biológicos reagem à temperatura. A equipa liderada por Jean-François Arnoldi analisou 2 500 curvas individuais, condensando 30 000 medições de desempenho obtidas em sete reinos, 39 filos e 2 710 experiências.

Um padrão comum do frio extremo ao calor letal

O novo modelo mostra que a resposta biológica à temperatura segue o mesmo formato, independentemente de a espécie ser bactéria, planta, réptil, peixe ou inseto. A única variação observada está na temperatura ótima — que pode situar-se entre 5 °C e 100 °C — e na amplitude do desempenho.

Segundo o investigador Andrew Jackson, as diferenças outrora atribuídas a fatores específicos de cada espécie resultam apenas de estiramentos e deslocamentos da mesma curva básica. A abordagem unifica dados que antes eram tratados de forma isolada, desde a velocidade de corrida de lagartos em laboratório até a divisão celular de bactérias.

Implicações para a evolução e para as alterações climáticas

A descoberta sugere que a temperatura impõe um limite comum à evolução. Quando o ambiente ultrapassa o nível ideal, a margem de sobrevivência encolhe para todas as formas de vida analisadas. O facto de a temperatura ótima e a máxima crítica estarem «inextricavelmente ligadas», como descreve Jackson, significa que a adaptação pode ser mais restrita do que se pensava.

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Com o aquecimento global projetado para as próximas décadas, os autores alertam que muitas espécies terão menos espaço para ajustar o seu desempenho biológico. A curva indica que, acima do ponto ótimo, cada grau adicional reduz de forma acentuada a tolerância térmica, elevando o risco de colapso populacional.

A consolidação destas curvas num único padrão oferece uma ferramenta para prever a resposta de espécies e ecossistemas inteiros a cenários de temperatura futura. Embora mais pesquisas sejam necessárias para integrar fatores como disponibilidade de recursos e interações ecológicas, o trabalho fornece uma referência quantitativa para estudos de conservação e modelagem climática.

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