Delcy Rodríguez assume presidência da Venezuela após ação militar dos EUA

Ultimas Notícias

Caracas, 5 de janeiro de 2026. A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira como presidente interina da Venezuela, dois dias depois da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos durante uma operação militar. O juramento ocorreu perante a Assembleia Nacional e confere a Rodríguez um mandato inicial de 90 dias, renovável, conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Posse perante o Legislativo

O plenário da Assembleia Nacional reuniu-se na manhã de hoje para formalizar a sucessão. Ao prestar juramento, Rodríguez declarou “tristeza pelo rapto de dois heróis que estão reféns nos Estados Unidos” e assumiu o compromisso de governar “em nome de todos os venezuelanos”. A sessão foi acompanhada por representantes das Forças Armadas, que já haviam reconhecido a nova chefe de Estado no domingo.

Logo após a cerimónia, o presidente do STJ, Maikel Moreno, entregou a Rodríguez o decreto que lhe confere autoridade executiva por um período de três meses, passível de prorrogação. Segundo o tribunal, a medida busca garantir “continuidade administrativa e defesa integral da nação” enquanto perdurar a ausência de Maduro.

Operação dos EUA e captura de Maduro

No sábado, 3 de janeiro, forças norte-americanas lançaram uma ofensiva de grande escala contra posições estratégicas em Caracas e Maracay. Durante a ação, Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram detidos e transferidos para território norte-americano. Horas depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em entrevista coletiva que Washington “assumirá a administração temporária da Venezuela até a conclusão de um processo de transição”.

A Casa Branca não apresentou um cronograma para essa transição nem indicou interlocutores locais, alimentando incertezas sobre a gestão quotidiana do país. Analistas apontam que a designação de Rodríguez pelo STJ representa uma tentativa de preservar a estrutura institucional venezuelana diante da intervenção externa.

Apoio militar e reconhecimento interno

O Alto Comando das Forças Armadas emitiu comunicado no domingo reconhecendo Delcy Rodríguez como “autoridade legítima para a proteção da soberania”. O texto reforça a lealdade das unidades militares ao novo poder civil, condição considerada fundamental para evitar um vazio de autoridade.

Além do Exército, a Assembleia Nacional — dominada por aliados de Maduro — aprovou moção de apoio à vice-presidente, qualificando a intervenção norte-americana como “violação fragrante do direito internacional”. O documento exige a libertação imediata de Maduro e da primeira-dama.

Primeira mulher no comando do Executivo

Aos 57 anos, Delcy Eloína Rodríguez Gómez torna-se a primeira mulher a ocupar a chefia de Estado na história venezuelana. Advogada formada pela Universidad Central de Venezuela, já exerceu os cargos de ministra das Relações Exteriores, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e vice-presidente executiva desde 2018.

Delcy Rodríguez assume presidência da Venezuela após ação militar dos EUA - Ultimas Notícias

Imagem: Ultimas Notícias

Em pronunciamento televisivo no início da noite, Rodríguez reafirmou que sua prioridade é “proteger a população, estabilizar a economia e conseguir a devolução imediata” do presidente deposto. Também condenou a operação militar estrangeira e pediu apoio de organismos multilaterais para mediar a crise.

Reações da comunidade internacional

Governos da América Latina e da Europa divergiram quanto ao episódio. Argentina, Bolívia e Turquia condenaram a ação norte-americana e reconheceram o mandato interino de Rodríguez. Por outro lado, Colômbia, Brasil e Canadá saudaram a captura de Maduro, mas evitaram comentar a legitimidade da nova presidente.

Na Organização das Nações Unidas, o Conselho de Segurança convocou reunião de emergência para esta terça-feira. Enquanto China e Rússia pedem retirada imediata das tropas dos EUA, França e Reino Unido defendem “solução negociada” que inclua eleições livres.

Próximos passos

O governo interino deverá nomear, ainda esta semana, uma equipa econômica para lidar com a desvalorização do bolívar e garantir o abastecimento de combustível, já afetado pelos combates. Também está prevista a criação de uma comissão consultiva, formada por representantes civis e militares, encarregada de elaborar um plano de segurança nacional.

Segundo o STJ, a renovação do mandato interino dependerá da “persistência do impedimento absoluto” de Nicolás Maduro. Caso o ex-presidente seja libertado ou um novo acordo político surja, o tribunal poderá rever a nomeação de Rodríguez.

Até lá, a Venezuela enfrenta a difícil tarefa de equilibrar a continuidade institucional com a presença de forças estrangeiras em seu território e a crescente pressão da opinião pública internacional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *