São Paulo, 9 de fevereiro de 2026 — Os alertas de desmatamento emitidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam queda de 9% na derrubada de vegetação na Amazônia e no Cerrado em 2025. No total, 9 186 km² foram afetados, área equivalente a seis vezes o município de São Paulo.
Redução pelo segundo ano consecutivo
Segundo o Inpe, a Amazônia registrou 3 817 km² sob alerta de desmate no ano passado, baixa de 8,7% em relação a 2024. No Cerrado, a área sinalizada alcançou 5 369 km², recuo de 9% no mesmo comparativo. É o segundo ano seguido de diminuição nos dois biomas.
Apesar da desaceleração, o desmatamento permaneceu elevado. Somados, os alertas equivalem a 9 186 km² em 2025, número inferior ao de 2024, porém ainda expressivo. O Deter serve como ferramenta de monitoramento rápido para orientar operações de fiscalização do Ibama e de outros órgãos ambientais. Dados consolidados saem anualmente pelo sistema Prodes, também do Inpe, e costumam apresentar área um pouco diferente por utilizarem metodologia mais precisa.
Distribuição por estados
Na Amazônia, o Mato Grosso concentrou 1 497 km² dos alertas, quase metade do total do bioma e alta de 60% frente a 2024, alcançando o terceiro maior valor da série histórica iniciada em 2015. Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) aparecem na sequência; ambos, contudo, melhoraram: queda de 36% no Pará e de 9% no Amazonas.
No Cerrado, Maranhão (1 190 km²), Tocantins (1 133 km²) e Piauí (1 005 km²) lideram o ranking. Bahia surge em seguida com 703 km². Esses quatro estados compõem a região conhecida como Matopiba, que reúne fronteira agrícola em expansão e as porções mais preservadas do bioma.
Tendências e fatores associados
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atribui parte da redução a ações de fiscalização intensificadas desde 2023, mas aponta influência de condições climáticas adversas em parte de 2024, quando uma seca extrema elevou o número de incêndios e a degradação florestal. A pasta afirma que, a partir de agosto de 2025, os alertas mensalmente ficaram abaixo dos verificados no mesmo período do ano anterior.
A dinâmica de desmatamento difere entre biomas. Enquanto na Amazônia o Código Florestal limita a supressão a 20% da área de propriedades rurais, no Cerrado a taxa pode chegar a 80% (ou 65% em zonas de transição), o que explica a pressão maior sobre áreas privadas. Segundo o ministério, o governo intensificou o diálogo com estados do Matopiba para aprimorar a emissão de autorizações, monitorar atividades e reforçar a fiscalização.
Imagem: Internet
Série histórica recente
O histórico mostra que a queda em 2023 foi mais acentuada, quando os alertas na Amazônia caíram cerca de 50% após ultrapassar 10 000 km² em 2022, último ano da gestão anterior. Em 2024, a redução foi de 19%. Já em 2025, a diminuição desacelerou para 8,7%, refletindo um esforço de contenção em patamar ainda elevado.
No Cerrado, a área sinalizada em 2025 é a mais baixa desde 2021, porém permanece acima da verificada na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo. O bioma ocupa cerca de 24% do território nacional, ante aproximadamente metade coberta pela floresta amazônica.
Próximos passos e monitoramento
O ciclo de monitoramento iniciado em agosto de 2025 seguirá até julho de 2026. Os dados preliminares sugerem continuidade da tendência de queda, mas especialistas apontam que políticas de longo prazo, fiscalização constante e oferta de alternativas econômicas sustentáveis serão determinantes para consolidar reduções nos próximos anos.
O resultado definitivo do desmatamento em 2025 será divulgado pelo Prodes no fim de 2026, quando serão conhecidos os números auditados e considerados oficiais para ambos os biomas.





