O primeiro episódio de 2026 do podcast Deu Tilt, apresentado por Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz, elencou as cinco figuras mais controversas da inteligência artificial em 2025. A lista reúne empresários, artistas virtuais e executivos que protagonizaram discussões sobre ética, direitos autorais e o impacto social das tecnologias emergentes. Segundo os apresentadores, esses nomes continuarão a atrair atenção neste ano.
Peter Thiel encabeça ranking pela influência política e militar
Na liderança aparece Peter Thiel, empresário do Vale do Silício e cofundador da Palantir. Em 2025, Thiel consolidou-se como peça-chave na articulação entre o governo norte-americano e projetos de vigilância baseados em IA. O executivo, aliado do ex-presidente Donald Trump, ganhou destaque ao classificar críticos da tecnologia e ativistas climáticos como “anticristo”, o que intensificou debates sobre privacidade e sustentabilidade dos centros de dados.
A atuação da Palantir em contratos militares e de segurança interna motivou protestos de entidades civis. Para Helton Simões Gomes, a combinação de poder financeiro, proximidade política e discurso conservador colocou Thiel no topo das controvérsias do setor.
Daniel Ek deixa o comando do Spotify em meio a críticas
A segunda posição ficou com Daniel Ek, fundador do Spotify. O sueco deixou o cargo de CEO e assumiu a presidência do conselho após repercussão negativa de investimentos pessoais em projetos de IA aplicados a defesa. Paralelamente, artistas retiraram músicas da plataforma em protesto contra a liberação de faixas geradas por algoritmos, que reduzem a fatia de receitas destinada a criadores humanos.
Os apresentadores classificaram Ek como “aspirante a vilão” ao compará-lo com Thiel. A pressão de músicos e consumidores levou o Spotify a revisar algumas políticas, mas a inclusão de conteúdo sintético permanece motivo de disputa.
Artistas virtuais redefinem as regras da indústria cultural
No universo do entretenimento, três personagens sintetizados por IA completam o top 5 divulgado pelo podcast.
Xenia Monet, cantora inteiramente digital, alcançou as paradas da Billboard e assinou contrato de exclusividade de US$ 3 milhões com uma grande gravadora. O acordo foi descrito como leilão, indicando forte interesse das empresas em artistas virtuais que dispensam turnês físicas e podem lançar novos conteúdos com rapidez.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Tocanna, intérprete brasileira criada por IA, viralizou com a paródia “São Paulo”, inspirada em “Empire State of Mind”. O sucesso no TikTok terminou em disputa judicial quando a equipe de Jay-Z contestou direitos autorais, removendo a faixa das principais plataformas. Tocanna afirmou ao Deu Tilt que a polêmica “incomodou horrores”, mas impulsionou sua popularidade e abrirá caminho para composições originais em 2026.
Fecha a lista Tilly Norwood, anunciada como a primeira atriz gerada por inteligência artificial. Mesmo sem participar de filmes ou campanhas publicitárias, Tilly motivou manifestações do sindicato de atores dos Estados Unidos e críticas de nomes como Whoopi Goldberg e Emily Blunt, preocupados com possíveis perdas de postos de trabalho em Hollywood.
Outros temas: sucessor do smartphone e fiascos da IA
Além do ranking, o episódio abordou a busca de grandes empresas de tecnologia por dispositivos que possam suceder o smartphone. Meta, OpenAI e ByteDance investem em interfaces conversacionais que dispensam telas tradicionais, aproveitando avanços em modelos de linguagem para criar experiências mais naturais.
Os apresentadores também relembraram os cinco momentos mais constrangedores da IA em 2025. Entre eles destacam-se a ausência da prometida integração entre Siri e ChatGPT nos produtos Apple, a proliferação de deepfakes com o modelo Sora 2 e dispositivos domésticos equipados com IA que não entregaram o desempenho anunciado.
Deu Tilt é publicado às terças-feiras no YouTube e em serviços de áudio. O episódio que inaugura 2026 reforça o debate sobre como a inteligência artificial redefine fronteiras éticas, econômicas e culturais, colocando empresários, plataformas e criações sintéticas sob escrutínio permanente.





