O Dia Internacional da Língua Materna, celebrado neste sábado, chama atenção para a importância da diversidade linguística e do multilinguismo, temas considerados centrais pela Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir inclusão social e acesso equitativo à educação. A data, instituída pela UNESCO em 1999 e adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2002, também evidencia o papel dos jovens na revitalização e na promoção das línguas em todo o mundo.
Foco em 2026: Vozes jovens na educação multilingue
O tema definido para 2026, “Vozes jovens na educação multilingue”, reflete mudanças no panorama linguístico global impulsionadas por maiores fluxos migratórios, avanços tecnológicos e reconhecimento crescente dos benefícios cognitivos, sociais e económicos do multilinguismo. Segundo a ONU, os jovens são agentes-chave desse processo ao defenderem suas línguas de origem, produzirem conteúdos digitais e utilizarem tecnologia para tornar a diversidade linguística mais visível.
Essas iniciativas reforçam a ligação entre idioma, identidade, aprendizagem e participação social. A organização destaca que sistemas educativos precisam reconhecer e apoiar as línguas dos estudantes desde as séries iniciais, fator considerado decisivo para melhorar a qualidade do ensino e reduzir desigualdades.
Desafios persistem no acesso ao ensino na língua de origem
Apesar dos avanços, a ONU calcula que cerca de 40% dos alunos no mundo não tenham acesso à instrução na língua que melhor compreendem. A situação afeta principalmente jovens indígenas, migrantes e membros de minorias linguísticas, que enfrentam barreiras adicionais para alcançar sucesso escolar. Para especialistas da UNESCO, enfrentar esse défice exige políticas públicas que coloquem a educação multilingue no centro dos currículos e da formação docente.
O organismo internacional observa que iniciativas de âmbito global podem acelerar o progresso ao partilhar experiências de êxito, fomentar diálogo entre educadores, decisores políticos e sociedade civil, além de promover ações que reduzam disparidades regionais. Programas de formação bilíngue, produção de materiais didáticos em várias línguas e uso de tecnologias acessíveis figuram entre as recomendações apontadas.
Globalização e risco de extinção de idiomas
A UNESCO contabiliza 8.324 línguas faladas ou gestuais, das quais aproximadamente 7.000 permanecem em uso. No entanto, somente algumas centenas têm presença efetiva nos sistemas educativos e na esfera pública, enquanto menos de cem são utilizadas de forma significativa no ambiente digital. A organização alerta que uma língua desaparece, em média, a cada duas semanas, levando consigo património cultural, tradições e conhecimento ancestral.
Imagem: ilustrativa
Para frear essa perda acelerada, a ONU reforça a importância de políticas que estimulem o ensino na língua materna, promovam a produção de conteúdos digitais em idiomas minoritários e valorizem a história e a cultura associadas a cada comunidade linguística. A preservação das línguas também é vista como elemento estratégico para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sobretudo no que se refere à educação de qualidade, redução de desigualdades e promoção de sociedades inclusivas.
Línguas como vetor de desenvolvimento sustentável
Ao sublinhar o vínculo entre diversidade linguística e sustentabilidade, a UNESCO destaca que sociedades multilingues dependem das línguas para transmitir conhecimento tradicional e práticas culturais vitais para a preservação ambiental e para a coesão social. Além disso, pesquisas apontam ganhos cognitivos em estudantes expostos ao ensino bilíngue ou multilíngue, como maior flexibilidade mental e melhor capacidade de resolução de problemas.
A ONU assinala ainda que a valorização das línguas fortalece o diálogo intercultural, a cooperação internacional e a construção de sociedades baseadas no conhecimento. Nesse contexto, iniciativas lideradas por jovens — desde projetos de documentação linguística até aplicativos que ensinam idiomas indígenas — ganham relevância e demonstram o potencial da tecnologia para ampliar o alcance do multilinguismo.
O Dia Internacional da Língua Materna de 2024 reforça, portanto, que a defesa da diversidade linguística não é apenas uma questão cultural, mas parte essencial de uma agenda global que busca garantir educação de qualidade, inclusão social e preservação do património humano para as futuras gerações.






