O percentual de brasileiros adultos que convivem com diabetes praticamente triplicou em menos de duas décadas. Entre 2006 e 2024, a prevalência passou de 5,5% para 12,9%, um avanço de 135%, de acordo com o Vigitel 2025, sistema de vigilância por inquérito telefônico do Ministério da Saúde.
Doenças crônicas ganham espaço
O mesmo levantamento mostra que a hipertensão arterial subiu de 22,6% para 29,7% no período, variação de 31%. A obesidade, definida por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, saltou de 11,8% para 25,7%, enquanto o excesso de peso (IMC a partir de 25) foi de 42,6% para 62,6%. Os aumentos foram mais intensos entre mulheres: a obesidade feminina cresceu de 12,1% para 26,7%; o excesso de peso, de 38,5% para 60,6%.
A diretora do Departamento de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Letícia Cardoso, atribui os números a múltiplos fatores. Para ela, o crescimento reflete avanços na detecção dos casos, mas também indica necessidade de ampliar ações de prevenção e cuidado.
Hábitos alimentares e atividade física
O consumo regular de frutas e hortaliças (pelo menos cinco dias por semana) recuou de 33% em 2008 para 31,4% em 2024, apesar de leve recuperação nos dois últimos anos da série. Por outro lado, a ingestão de refrigerantes e sucos artificiais em cinco ou mais dias da semana caiu quase pela metade, de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024. A redução foi mais expressiva entre homens, de 35,7% para 19,1%.
A prática de atividade física no deslocamento diário diminuiu, passando de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, a proporção de adultos que realizam ao menos 150 minutos semanais de exercícios no tempo livre subiu de 30,3% para 42,3%, indicando mudança no padrão de movimento.
Qualidade do sono entra no radar
Pela primeira vez, o Vigitel avaliou a duração e a qualidade do sono. Entre os entrevistados, 20,2% declararam dormir menos de seis horas por dia e 31,7% apresentaram sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%). O Ministério da Saúde relaciona noites mal dormidas ao aumento de peso e ao agravamento de hipertensão e diabetes.
Estratégia Viva Mais Brasil
Em resposta aos indicadores, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou a estratégia Viva Mais Brasil, que concentra dez compromissos para melhorar a qualidade de vida da população, entre eles incentivo à alimentação saudável, redução do consumo de álcool e tabaco, ampliação da vacinação e promoção de atividade física.
Imagem: Internet
O programa contará com R$ 340 milhões em investimentos. Apenas a retomada da iniciativa Academia da Saúde receberá R$ 40 milhões até 2026. Hoje, o país possui 1.775 unidades em funcionamento; a meta é credenciar mais 300 até o fim de 2026.
Metas e desafios
O Vigitel fundamenta metas do Plano de Ações Estratégicas para Doenças Crônicas 2021-2030, alinhado à Agenda 2030 da ONU. Entre os objetivos, está elevar em 30% a prática de atividade física no lazer até 2030, o que levaria a prevalência a 47,7%.
Questionado sobre medicamentos injetáveis contra obesidade, Padilha reconheceu a importância dessas terapias, mas ressaltou o alto custo. O ministério solicitou à Anvisa um chamamento público para registro e produção nacional de fármacos cuja patente expira em março, visando reduzir preços e ampliar o acesso no Sistema Único de Saúde.
Cenário regional do câncer de pele
O relatório também reuniu dados do Instituto Nacional de Câncer, que apontam aumento expressivo nos diagnósticos de câncer de pele no país. O número de casos saltou de 4 mil para mais de 72 mil em uma década. Em 2024, a taxa média foi de 34,27 ocorrências por 100 mil habitantes. Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram, seguidos por Rondônia (85,11).
Monitoramento anual
Realizado nas 26 capitais e no Distrito Federal, o Vigitel investiga fatores de risco e proteção por meio de entrevistas telefônicas com adultos. A pesquisa acompanha tabagismo, consumo de álcool, alimentação, atividade física, qualidade do sono e prevenção de câncer, entre outros itens, oferecendo base para políticas públicas de saúde.





