Estudo revela 365 mil pessoas vivendo nas ruas no Brasil e detalha por que o número cresce

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O Brasil encerrou 2023 com 365.822 pessoas em situação de rua, de acordo com levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG). O estudo, divulgado nesta quarta-feira (13), mostra aumento de 11,5 % em relação a dezembro de 2022, quando 327.925 cidadãos estavam registrados nessa condição.

Levantamento nacional indica expansão contínua desde 2022

Os dados têm como base o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), utilizado pelo governo federal para identificar famílias em vulnerabilidade e definir repasses a municípios. Segundo o observatório, após queda entre 2020 e 2021 – período em que o total passou de 194.824 para 158.191 pessoas – o volume voltou a subir em 2022 e mantém tendência de alta.

A Região Sudeste concentra 222.311 pessoas em situação de rua, o equivalente a 61 % do total nacional. Na sequência aparece o Nordeste, com 54.801 registros. Entre os estados, São Paulo lidera com 150.958 pessoas, seguido por Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O menor número foi identificado no Amapá, com 292 cidadãos.

O observatório atribui a expansão recente a quatro fatores principais: fortalecimento do CadÚnico como referência para registro da população em situação de rua; insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas ao segmento, como moradia, emprego e educação; precarização das condições de vida após a pandemia; e impactos de emergências climáticas que provocam deslocamentos forçados dentro e fora do país.

Fome, desemprego e falta de políticas sustentáveis agravam cenário

Para Robson César Correia de Mendonça, representante do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, a insegurança alimentar continua a pressionar quem já vive sob renda limitada. Ele afirma que “há muita gente que precisa escolher entre pagar aluguel, comprar remédio ou se alimentar”. Mendonça relata que enfrenta despesas médicas acima de sua própria renda, exemplificando a dificuldade enfrentada por grande parte desse grupo.

O ativista também aponta que a rápida evolução tecnológica do mercado de trabalho deixa pessoas sem qualificação atualizada em desvantagem, limitando o acesso a emprego formal. Segundo ele, programas de capacitação, políticas habitacionais e ações para reduzir o estigma contra quem vive nas ruas seriam passos fundamentais para reverter a tendência.

Do lado governamental, a Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informou ter repassado R$ 633 milhões a prefeituras desde o início da atual gestão, dos quais R$ 145,6 milhões destinados a ações específicas para a população em situação de rua. Entre as iniciativas citadas estão 24 novas unidades do Bom Prato, que oferece refeições a baixo custo, e a ampliação do Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, programa que combina moradia e geração de renda para pessoas afetadas pelo uso de substâncias psicoativas.

Apesar das medidas estaduais, o estudo da UFMG destaca a necessidade de políticas federais estruturantes para conter o crescimento da população em situação de rua. Até o momento da divulgação, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania não havia se pronunciado sobre os resultados.

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Números regionais reforçam urgência de ações coordenadas

A distribuição desigual revela desafios específicos para cada região. No Sudeste, alto custo de vida, déficit habitacional e mercado de trabalho competitivo contribuem para o volume registrado. No Nordeste, fatores climáticos e menor oferta de vagas formais pesam na balança. Já no Norte, embora a quantidade absoluta seja menor, longas distâncias e menor infraestrutura social dificultam a implementação de programas abrangentes.

Pesquisadores do observatório alertam que o CadÚnico, ainda que essencial para mapear a vulnerabilidade, captura apenas parte da realidade, pois depende da adesão municipal e da busca ativa de equipes de assistência social. A instituição defende a integração desse banco de dados com iniciativas de saúde, educação e habitação para garantir respostas mais rápidas e recursos adequados.

O estudo também enfatiza que a emergência climática deverá pressionar ainda mais o sistema de assistência. Eventos extremos, como enchentes e secas prolongadas, tendem a deslocar populações inteiras, aumentando a procura por abrigos e serviços públicos. Nesse contexto, especialistas recomendam que planos de contingência incluam soluções de moradia temporária e estímulos à geração de renda.

Enquanto isso, movimentos sociais reforçam a necessidade de combater preconceitos que dificultam a reintegração de pessoas em situação de rua ao mercado de trabalho. Mendonça defende políticas que tratem esse grupo “como cidadãos desempregados que precisam de oportunidade”, e não como indivíduos isolados de políticas de desenvolvimento.

Os dados divulgados tornam evidente que o problema ultrapassa a assistência imediata e exige abordagem integrada entre governos, empresas e sociedade civil. Without uma estratégia coordenada, a tendência de crescimento deve continuar, ampliando a vulnerabilidade de milhares de brasileiros.

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