Os Estados Unidos afirmaram no Conselho de Segurança das Nações Unidas que a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de fevereiro, não configura ato de guerra nem ocupação territorial. A declaração foi feita nesta segunda-feira (5) pelo embaixador norte-americano Michael Waltz durante reunião de emergência convocada para analisar o episódio.
Embaixador classifica ação como aplicação da lei
Segundo Waltz, a intervenção em Caracas teve caráter estritamente jurídico, com apoio das Forças Armadas dos EUA. O diplomata descreveu o procedimento como uma “operação de aplicação da lei” destinada a cumprir acusações pendentes “há décadas” contra Maduro e sua mulher, Cilia Flores, considerados foragidos da Justiça norte-americana.
De acordo com o representante, o líder venezuelano chefia uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas, identificada por Washington como “Cartel de los Soles”. O embaixador prometeu apresentar “provas esmagadoras” em tribunal dos EUA, onde Maduro deverá responder pelos supostos crimes cometidos ao longo de 15 anos.
Waltz comparou a captura de Maduro à detenção de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989. Na época, o ex-chefe de Estado foi levado para julgamento em território norte-americano, cenário que o diplomata considera paralelo ao caso venezuelano.
Legitimidade contestada por mais de 50 países
Durante a sessão, o embaixador reiterou que Washington não reconhece Maduro como presidente legítimo. Ele citou a rejeição de “mais de 50 nações” ao resultado das eleições venezuelanas de 2024, classificadas como fraudulentas por um painel de especialistas da própria ONU. Para Waltz, conceder a Maduro o mesmo estatuto de líderes eleitos democraticamente colocaria em xeque a credibilidade da organização.
O diplomata afirmou ainda que o governante venezuelano se enriqueceu “às custas do povo” e abriu espaço no país para a atuação de adversários dos EUA, como Irã, Hezbollah e agentes de inteligência cubanos. O porta-voz norte-americano argumentou que a presença desses grupos no Hemisfério Ocidental representa risco direto à segurança dos EUA.
Energia e segurança regional
Waltz mencionou as vastas reservas de petróleo venezuelano ao defender a intervenção. Na avaliação do governo norte-americano, deixar esses recursos sob controle de “líderes ilegítimos” e “adversários” compromete tanto a população local quanto a estabilidade regional. Ele acusou um “punhado de oligarcas” de se apropriar da riqueza energética do país.
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Em nota paralela, organizações como a International Crisis Group contestam a existência do Cartel de los Soles e veem a narrativa norte-americana como justificativa para interferência externa. O embaixador não respondeu diretamente a essas críticas, limitando-se a prometer transparência nos futuros processos judiciais.
Próximos passos no Conselho de Segurança
Ao encerrar sua intervenção, Waltz sublinhou que os EUA “não estão em guerra contra o povo venezuelano” e que quaisquer forças norte-americanas em território do país atuam apenas para garantir a transferência segura do detido. Membros do Conselho de Segurança pediram esclarecimentos adicionais sobre o alcance das operações e a base legal utilizada.
Até o momento, não há anúncio de sanções ou resoluções formais relacionadas ao incidente. A presidência rotativa do Conselho deve decidir nos próximos dias se convocará novos debates ou enviará missão de apuração a Caracas.
A prisão de Nicolás Maduro, agora em solo norte-americano, abre um impasse diplomático que envolve legitimidade eleitoral, acusações de narcotráfico e a disputa pela influência no subcontinente. Enquanto Washington insiste no caráter policial da ação, aliados do governo venezuelano alegam violação de soberania e prometem recorrer a instâncias internacionais para contestar a operação.





