O boletim InfoGripe divulgado nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2025, indica aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à covid-19 no Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e Paraíba. Embora o crescimento seja relevante para a vigilância epidemiológica, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informa que não há, por enquanto, impacto expressivo nas hospitalizações.
Panorama por estados e faixas etárias
No Amazonas, os diagnósticos de SRAG concentram-se em crianças pequenas. A maioria dos casos está ligada ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que mantém o estado como o único do país com tendência de alta sustentada por esse agente.
Já no Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás, o aumento dos atendimentos afeta principalmente crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Exames laboratoriais apontam o rinovírus como principal responsável pelo cenário nesses locais.
Em São Paulo, a Fiocruz destaca crescimento acentuado na mesma faixa etária de 2 a 14 anos. Sinais similares foram observados em alguns estados do Nordeste e no Amapá.
Tendências nacionais e dados consolidados
Em todo o país, a série histórica mostra provável queda na tendência de longo prazo das últimas seis semanas, paralelamente a um leve avanço na tendência de curto prazo, referente às três semanas mais recentes.
No ano epidemiológico de 2025, o sistema nacional registrou 163.956 casos de SRAG. Desses, 87.741 (53,5%) apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Outros 56.822 (34,7%) tiveram resultado negativo, enquanto 8.757 (5,3%) aguardavam confirmação laboratorial na data do boletim.
Recomendações de prevenção
Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, crianças e adolescentes com sintomas gripais devem permanecer em casa para evitar transmissão nas escolas. Ela reforça ainda que idosos e pessoas imunocomprometidas devem receber a vacina contra a covid-19 a cada seis meses. Para demais grupos de risco, como portadores de comorbidades, o reforço anual continua indicado.
As orientações seguem alinhadas às diretrizes do Ministério da Saúde, que mantém calendários específicos de imunização e recomenda medidas de isolamento para sintomáticos respiratórios.

Imagem: Últimas Notícias
Metodologia do boletim InfoGripe
O sistema InfoGripe cruza dados de notificações hospitalares e laboratoriais provenientes da rede nacional de vigilância. O boletim desta semana considerou registros inseridos até o início de agosto e analisou variações de casos em diversas faixas etárias, bem como a circulação dos principais vírus respiratórios em todas as regiões brasileiras.
A Fiocruz destaca que a consolidação dos números depende do tempo de processamento dos exames. Por isso, parte dos registros permanece sem classificação etiológica no momento da publicação.
Vigilância contínua e próximos passos
Mesmo com a ausência de pressão significativa sobre o sistema hospitalar, os técnicos da fundação alertam para a necessidade de monitorar possíveis mudanças no padrão de circulação do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios, sobretudo em grupos mais vulneráveis.
A instituição planeia manter atualizações regulares do InfoGripe e recomenda que secretarias estaduais de saúde reforcem campanhas de vacinação, além de incentivar o isolamento domiciliar de pessoas com sintomas de gripe ou resfriado.
Para a Fiocruz, a combinação de imunização em dia, testagem oportuna e medidas de prevenção individual permanece crucial para conter a propagação da SRAG no país.