O Governo do Ceará assumirá todas as despesas para o translado do corpo de Lucinete Freitas, de 55 anos, assassinada em Portugal no início de dezembro. A informação foi confirmada pelo chefe da Casa Civil cearense, Chagas Vieira, no sábado, 10 de fevereiro, por meio de publicação nas redes sociais.
Decisão oficial e apoio à família
Segundo Vieira, o governador Elmano de Freitas determinou que a administração estadual cubra integralmente os custos de transporte do corpo da trabalhadora, natural de Aracobaia, interior do Ceará. O chefe da Casa Civil classificou a medida como um esforço mínimo para reduzir o sofrimento da família, residente no Estado.
A Casa Civil foi acionada pela imprensa para esclarecer prazos e procedimentos do traslado, mas, até o momento, não apresentou calendário para a retirada do corpo de Portugal nem previsão de chegada ao Brasil.
Perfil da vítima
Lucinete Freitas vivia sozinha em Amadora, na região metropolitana de Lisboa, onde atuava como babá e empregada doméstica para outra brasileira. De acordo com familiares, a vítima planeava levar o marido e o filho a Portugal após regularizar a situação financeira.
Reconstituição dos acontecimentos
A funcionária desapareceu em 5 de dezembro. Treze dias depois, em 18 de dezembro, o corpo foi localizado em Amadora. O Ministério Público de Portugal divulgou que Lucinete sofreu agressões com um bloco de cimento desferido na cabeça, supostamente pela patroa, que está presa preventivamente.
Conforme a investigação, havia histórico de conflitos entre empregadora e empregada. No dia do crime, a suspeita informou que levaria Lucinete para casa, mas conduziu-a a um local isolado, onde a teria agredido até à morte. Após constatar o óbito, a investigada cobriu o corpo com entulho e abandonou a área.
Imagem: Internet
Acusações contra a suspeita
O Ministério Público português imputa à suspeita quatro crimes: homicídio qualificado, profanação de cadáver, posse de arma proibida e falsidade informática. Esta última acusação decorre do alegado uso do telemóvel de Lucinete para enviar mensagens em seu nome, nas quais a vítima dizia ter viajado ao Algarve com uma amiga. O objetivo, segundo os promotores, seria retardar o registro de desaparecimento.
Além das agressões físicas, os investigadores analisam indícios de tentativa de ocultação de provas e de manipulação digital. O telefone da vítima foi apreendido para perícia, e depoimentos de familiares, amigos e vizinhos integram o inquérito em curso.
Próximos passos
O processo criminal em Portugal segue em fase de instrução, com a ré em prisão preventiva. Audiências para produção de prova devem ocorrer nos próximos meses. Já no Brasil, a família aguarda a definição do cronograma de traslado para realizar o velório em Aracobaia.
O Governo do Ceará não informou se prestará apoio adicional além do custeio do transporte, mas destacou que mantém contacto com o Ministério das Relações Exteriores para acelerar a liberação do corpo pelas autoridades portuguesas.





