O governo federal confirmou a construção do primeiro hospital público inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. A unidade será erguida na cidade de São Paulo com recursos de um empréstimo de R$ 1,7 bilhão obtido junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do Brics.
Anúncio oficial no Palácio do Planalto
A decisão foi divulgada na quarta-feira, 7 de fevereiro, durante cerimónia no Palácio do Planalto. Estiveram presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a presidenta do NDB, Dilma Rousseff. Segundo o Ministério da Saúde, o projeto torna-se referência nacional em assistência totalmente digital e servirá de modelo para os demais países do bloco económico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O financiamento do NDB prevê prazo de pagamento de 30 anos. Em discurso, Dilma Rousseff destacou que China e Índia participam como parceiras na iniciativa. Para a direção do banco, o contrato transcende a construção física e representa um avanço na adoção de tecnologias de saúde em larga escala.
Infraestrutura e capacidade de atendimento
Vinculado à Universidade de São Paulo (USP), o hospital terá setor de emergência com 250 leitos, capacidade para atender 200 mil pacientes por ano e 25 salas cirúrgicas. A Unidade de Terapia Intensiva contará com 350 leitos e ligação a uma rede de 14 UTIs automatizadas distribuídas por diferentes estados, formando um sistema integrado de monitorização em tempo real. A previsão de conclusão da obra varia de três a quatro anos.
A proposta de hospital inteligente inclui uso extensivo de inteligência artificial, prontuário totalmente digital e automação de processos para agilizar diagnósticos, reduzir filas e permitir acompanhamento clínico contínuo. De acordo com o ministério, a adoção dessas ferramentas pode diminuir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em urgências.
Modernização de outras unidades do SUS
Durante a mesma cerimónia, o governo anunciou investimentos adicionais na reestruturação de hospitais universitários e federais. Entre as instituições contempladas estão a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o futuro Hospital Oncológico da Baixada Fluminense, o Grupo Hospitalar Conceição no Rio Grande do Sul e o Instituto do Cérebro no Rio de Janeiro. Hospitais federais vinculados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) também receberão recursos.
Para os hospitais federais do Rio de Janeiro, o investimento previsto soma R$ 1,2 bilhão. O Ministério da Saúde afirma que as obras e aquisições de equipamentos fazem parte de um plano de modernização tecnológica destinado a aproximar o serviço público dos padrões oferecidos por centros privados de excelência.
Imagem: Internet
Objetivos e justificativas do projeto
O presidente Lula declarou que a iniciativa quer reforçar a imagem positiva do SUS, ressaltada durante a resposta à pandemia de covid-19. Segundo ele, a aplicação de tecnologias avançadas deve priorizar a população de menor renda, de forma a garantir acesso universal a soluções de saúde de última geração.
Já o ministro Alexandre Padilha apontou que o contrato com o NDB coloca o Brasil numa nova fronteira tecnológica na área hospitalar. Para o ministério, a integração digital, a análise de dados clínicos e a telemedicina permitirão acompanhar pacientes de forma contínua e melhorar a tomada de decisões médicas.
Próximos passos
Os estudos de engenharia e arquitetura estão em fase de conclusão. Após a aprovação final dos projetos executivos, a licitação para a obra deve ser lançada ainda este ano. O acompanhamento será feito por um comitê composto por representantes do Ministério da Saúde, da USP e do NDB.
Com a implantação do hospital inteligente, o governo pretende avaliar indicadores como tempo de espera, taxa de ocupação de leitos, mortalidade em UTIs e custos operacionais. Os resultados servirão de base para futuras expansões da rede digital em outras unidades do SUS.





