Governo e Sesi liberam até R$ 500 mil por projeto para abrir novas cuidotecas no país

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O governo federal e o Serviço Social da Indústria (Sesi) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica que expande a oferta de cuidotecas em todo o território nacional. O instrumento integra o Plano Nacional de Cuidados – Brasil que Cuida e prevê recursos de até R$ 500 mil por projeto para criação ou ampliação desses espaços voltados ao acolhimento infantil fora do horário escolar.

Parceria busca facilitar acesso de mulheres à formação e ao emprego

A iniciativa envolve a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e o Conselho Nacional do Sesi (CN-Sesi). O foco é instalar cuidotecas em ambientes educacionais e de qualificação profissional mantidos pelo Sistema Indústria.

Segundo o titular do MDS, Wellington Dias, a falta de opções seguras para deixar os filhos impede a participação de muitas mulheres em vagas industriais e cursos de capacitação. O ministro afirmou que a expansão das cuidotecas cria condições para que crianças de até 12 anos permaneçam protegidas enquanto as responsáveis estudam ou trabalham, contribuindo para o rendimento familiar e para o desenvolvimento econômico.

Modelo de financiamento e responsabilidades

Pelo acordo, o Sesi publicará editais para selecionar propostas estaduais ou municipais. Cada contemplado poderá receber até meio milhão de reais destinados à compra de equipamentos, aquisição de materiais pedagógicos e contratação de serviços necessários ao funcionamento. Os departamentos regionais da entidade ficam encarregados de executar as obras, administrar os espaços e manter a operação diária.

O MDS, por meio da SNCF, oferecerá apoio técnico e metodológico. A pasta participará do desenvolvimento de diretrizes, formação das equipes locais e monitoramento das atividades, garantindo a padronização dos serviços em todas as unidades.

Como funcionam as cuidotecas

As cuidotecas são espaços públicos, gratuitos e seguros que acolhem crianças de 3 a 12 anos, com ou sem deficiência, em horários que excedem a jornada escolar tradicional, inclusive à noite. Durante a permanência, os menores têm acesso a atividades recreativas, leitura, jogos, artes e cuidados básicos, como alimentação, higiene, troca de roupas e descanso.

O serviço pretende aliviar a sobrecarga de familiares responsáveis por cuidados, majoritariamente mulheres, permitindo-lhes cursar programas de qualificação, elevar a escolaridade ou exercer atividade remunerada. A estratégia corresponde a uma das ações centrais do Plano Nacional de Cuidados, criado para consolidar políticas públicas que reconheçam e redistribuam tarefas de cuidado no país.

Status atual e metas de expansão

Atualmente, 12 cuidotecas estão em operação. A rede conta com uma unidade na Universidade Federal Fluminense (UFF) e 11 em Institutos Federais localizados nos estados da Bahia, Maranhão e Sergipe. Com a nova parceria, o governo pretende ampliar significativamente esse número, aproveitando a infraestrutura do Sistema Indústria para acelerar a abertura de novos pontos.

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Imagem: Ultimas Notícias

Embora o acordo não estabeleça uma meta numérica pública, o aporte financeiro previsto e o modelo descentralizado indicam a possibilidade de instalação simultânea de cuidotecas em diferentes regiões, em especial nas proximidades de centros de formação profissional mantidos pelo Sesi e pelo Senai.

Impacto esperado na formação e no mercado de trabalho

Dados apresentados pelo MDS apontam que a inexistência de suporte para cuidados infantis figura entre as principais barreiras à inserção de mulheres em setores industriais. Com horários flexíveis e oferta gratuita, as cuidotecas pretendem reduzir essa restrição, aumentando a adesão feminina a cursos técnicos e vagas de emprego.

Representantes do Sesi afirmam que a presença das cuidotecas dentro de unidades de ensino e treinamento facilita o acompanhamento das responsáveis, além de promover ambiente integrado entre aprendizagem, trabalho e cuidado. A expectativa é que a medida eleve a taxa de permanência em programas de capacitação e, consequentemente, melhore a empregabilidade.

Próximos passos

O primeiro edital de apoio financeiro deve ser publicado nos próximos meses. Estados, municípios e entidades sem fins lucrativos que atuem na educação profissional poderão apresentar propostas. Os projetos serão avaliados conforme critérios de viabilidade, localização, estimativa de demanda e capacidade de gestão.

Após a seleção, o Sesi efetuará a liberação dos recursos e iniciará a aquisição de mobiliário, brinquedos e materiais pedagógicos. Equipes técnicas do MDS acompanharão a implantação, assegurando o cumprimento dos requisitos de acessibilidade, segurança e qualidade do atendimento.

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