A Presidência interina da Venezuela determinou nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a captura imediata de qualquer pessoa ligada ao sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores. A ordem, assinada pela vice-presidente Delcy Rodríguez, coloca as forças de segurança em alerta máximo em todo o território venezuelano.
Decreto foi publicado no dia do ataque
O mandado de busca e apreensão foi formalizado em um decreto datado de sábado, 3 de janeiro, data em que militares norte-americanos invadiram Caracas e removeram Maduro e Flores do país. O texto completo, no entanto, tornou-se público apenas nesta segunda-feira. Segundo a instrução oficial, qualquer indivíduo que tenha “promovido, apoiado ou facilitado” a ação militar estrangeira está sujeito a prisão imediata.
A medida amplia prerrogativas da Polícia Nacional Bolivariana, permitindo detenções sem mandado judicial prévio quando “houver indícios razoáveis” de colaboração com a operação dos Estados Unidos. Órgãos de inteligência civil e militar foram integrados à força-tarefa, que também poderá solicitar auxílio de autoridades regionais e municipais.
Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo de presidente interina após a retirada de Maduro, justificou a decisão afirmando que o sequestro representa “uma violação grave da soberania venezuelana”. A dirigente ressaltou que o decreto tem caráter temporário, mas não fixou prazo para sua revogação.
ONU e Justiça dos EUA acompanham o caso
Em Nova York, Nicolás Maduro e Cilia Flores passaram por audiência de custódia nesta segunda-feira em um tribunal federal do distrito do Brooklyn. Ambos se declararam inocentes das acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que incluem conspiração para importar cocaína, narcoterrorismo, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
O juiz responsável manteve o casal sob custódia alegando “risco de fuga” e marcou a próxima sessão para 20 de fevereiro. A defesa de Maduro contestou a competência da corte norte-americana, argumentando que a transferência do ex-mandatário violou normas internacionais e o princípio da imunidade soberana.
Enquanto isso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma reunião de emergência para avaliar o incidente. A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, expressou “profunda preocupação” com a legalidade da operação norte-americana e solicitou investigações independentes sobre possível violação do direito internacional.
Diplomatas russos e chineses pediram condenação formal da ação, alegando quebra da Carta da ONU, enquanto representantes dos Estados Unidos defenderam o uso da força como “medida legítima” contra “atividades de narcoterrorismo patrocinadas pelo Estado venezuelano”. Até o momento, o órgão não aprovou resolução sobre o tema.
Detalhes da ofensiva militar
O ataque ocorreu na madrugada de 3 de janeiro, quando forças especiais dos EUA desembarcaram na capital venezuelana apoiadas por helicópteros e drones. Testemunhas relataram explosões nas proximidades do Palácio de Miraflores, seguidas de intenso tiroteio. Maduro e Flores foram detidos sem resistência registrada e transportados de barco até águas internacionais, onde embarcaram em navio militar com destino a Nova York.
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O Departamento de Defesa norte-americano qualificou a ação como “precisa e limitada”, alegando ter agido para evitar escalada de violência. Já o governo interino de Caracas acusa Washington de invasão e rapto, sustentando que não houve pedido de extradição nem autorização judicial venezuelana.
Próximos passos na Venezuela
Conforme o decreto divulgado, a Venezuela criará um comitê especial para coordenar investigações, coletar provas e apresentar relatórios quinzenais ao Ministério Público. A equipe contará com procuradores, agentes de inteligência e peritos forenses. O governo também solicitou apoio da Interpol para emissão de alertas internacionais contra eventuais cúmplices que tenham deixado o país após o ataque.
Em pronunciamento televisionado, Delcy Rodríguez pediu mobilização popular “em defesa da pátria” e assegurou que a administração interina adotará “todas as medidas legais” para garantir o retorno de Maduro e Flores. Não há, porém, previsão de negociações diplomáticas diretas entre Caracas e Washington.
Analistas consultados por agências internacionais apontam que a ordem de captura pode intensificar tensões internas, sobretudo se houver detenção de opositores acusados de colaborar com os Estados Unidos. Até o momento, não foram divulgados nomes de suspeitos nem o número de mandados já expedidos.
Enquanto se desenrola o impasse, a população de Caracas enfrenta bloqueios em vias estratégicas e presença reforçada de militares nos principais acessos à capital. Aeroportos e portos operam sob regime de inspeção especial, e saques pontuais a supermercados foram relatados na zona oeste da cidade.
Com o casal presidencial detido em território norte-americano e uma ordem de captura em vigor na Venezuela, o caso permanece no centro das atenções diplomáticas e judiciais, sem sinal de desfecho iminente.





