O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, solicitou a criação de um fundo internacional de US$ 3 bilhões destinado a garantir que os avanços em inteligência artificial (IA) sejam acessíveis a todas as nações. O apelo foi feito durante compromisso oficial na Índia, onde o dirigente destacou a necessidade de cooperação multilateral para evitar que a tecnologia aprofunde disparidades econômicas e sociais.
Pedido de mobilização financeira global
Segundo Guterres, o montante de US$ 3 bilhões deve ser reunido por governos, setor privado e organizações filantrópicas. A proposta visa financiar iniciativas que ampliem a capacidade de países de baixa e média renda de desenvolver, adotar e regular ferramentas de IA. O dirigente argumentou que, sem apoio financeiro direcionado, as nações com menos recursos correm o risco de ficar à margem da próxima onda de inovação tecnológica.
O chefe da ONU enfatizou que a inteligência artificial já influencia setores essenciais, como saúde, educação, agricultura e gestão de desastres. Contudo, salientou que o acesso desigual a infraestrutura digital, dados e capacitação técnica pode limitar o potencial de impacto positivo, tornando imprescindível um esforço coletivo para fomentar inclusão.
Prevenção de novas disparidades
Durante sua intervenção, Guterres lembrou que grandes saltos tecnológicos, se mal distribuídos, tendem a reforçar desigualdades existentes. Para evitar esse cenário, o fundo proposto teria como foco:
- Expandir conectividade de alta velocidade em regiões subatendidas;
- Financiar centros de pesquisa e formação em IA em países em desenvolvimento;
- Apoiar projetos que usem algoritmos para acelerar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
- Promover padrões abertos e interoperáveis que reduzam barreiras de entrada.
Ao justificar a iniciativa, o secretário-geral observou que a governança da inteligência artificial ainda é assimétrica. Ele defendeu normas internacionais claras para proteger direitos humanos, segurança e privacidade, mas alertou que tais diretrizes precisam ser acompanhadas de investimentos que permitam a todos usufruir da tecnologia.
Chamado à responsabilidade compartilhada
Guterres convocou Estados-membros da ONU a incluir o tema na agenda de financiamento para o desenvolvimento e exortou empresas líderes em IA a destinarem parte de seus lucros a projetos de impacto social. O secretário-geral também reconheceu o papel de universidades e centros de pesquisa na difusão de conhecimento técnico que atenda às necessidades locais.
Imagem: ilustrativa
Em declarações posteriores, o dirigente apontou que o valor de US$ 3 bilhões representa menos de 0,1% do investimento global anual em tecnologias digitais. Para ele, a soma é “viável e urgente” diante do ritmo acelerado de adoção de sistemas baseados em aprendizagem automática. Embora não tenha detalhado prazos para a captação dos recursos, Guterres sustentou que a estrutura do fundo deve ser flexível, transparente e sujeita a avaliação periódica de resultados.
Próximos passos
A proposta será encaminhada às delegações nacionais para discussão em fóruns multilaterais futuros. Entre as possibilidades mencionadas está a apresentação formal durante a próxima sessão da Assembleia Geral da ONU. Guterres afirmou que pretende envolver agências especializadas, bancos de desenvolvimento e organizações da sociedade civil na definição de critérios de elegibilidade e prioridades de investimento.
Ao encerrar o discurso na Índia, o secretário-geral reiterou que a inteligência artificial tem potencial para acelerar o progresso humano, mas alertou: “Somente um compromisso financeiro robusto evitará que essa revolução tecnológica beneficie poucos à custa de muitos”.





