A HP divulgou nesta terça-feira (27) os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2024 e superou as projeções de Wall Street, sustentada pela procura crescente por computadores pessoais com recursos de inteligência artificial e pela aproximação do fim do suporte ao Windows 10.
Receita avança 3% e ultrapassa estimativas
A empresa reportou receita de US$ 13,93 mil bilhões, alta de aproximadamente 3% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima da expectativa média dos analistas, fixada em US$ 13,70 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. O resultado reforça a perspectiva de recuperação do mercado de PCs, que vê nas novas funções de IA um fator adicional de atualização de parque.
No trimestre encerrado em julho, a divisão de Sistemas Pessoais — que engloba computadores comerciais e de consumo — teve crescimento de 6% e somou US$ 9,93 bilhões. O desempenho compensou a retração de 4% registrada no segmento de Impressão, cuja receita ficou em US$ 4 bilhões.
Demanda por atualização impulsiona vendas
A aproximação do prazo final de suporte ao Windows 10, marcado para outubro de 2025, vem motivando empresas e consumidores a planejar a troca de equipamentos. Esse ciclo de renovação, aliado aos novos processadores com capacidades de inferência de IA, elevou a procura por modelos mais recentes.
“Continuamos confiantes na força da oportunidade no mercado de PCs. Esperamos manter o impulso obtido com a atualização para o Windows 11 e a adoção de computadores com IA”, declarou a diretora financeira Karen Parkhill durante a apresentação dos resultados.
O otimismo também se reflete nas projeções para o próximo trimestre. A HP estimou lucro ajustado por ação entre US$ 0,87 e US$ 0,97, intervalo praticamente alinhado à previsão média de US$ 0,92 apontada pelos analistas.
Estratégia fabril busca reduzir riscos geopolíticos
O presidente-executivo Enrique Lores informou que a companhia concluiu a transferência de quase toda a produção destinada ao mercado norte-americano da China para países do Sudeste Asiático, além de México e algumas unidades nos Estados Unidos. A mudança busca mitigar impactos de eventuais interrupções na cadeia de suprimentos e diminuir a exposição a tensões comerciais.
De acordo com Lores, a nova distribuição geográfica permite maior flexibilidade logística, reduz prazos de entrega e pode favorecer a competitividade de custos no médio prazo. Embora a empresa não tenha detalhado percentuais, executivos indicaram que a realocação abrange linhas essenciais de notebooks e desktops.

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Contexto do setor favorece fabricantes tradicionais
Após dois anos marcados por queda na demanda, o segmento de computadores pessoais começa a reagir com a perspectiva de substituição de máquinas incompatíveis com os requisitos de IA generativa. Fabricantes como HP e Dell veem nos equipamentos com chips dedicados à aceleração de modelos de aprendizado de máquina um diferencial para retomar margens.
A empresa espera que o impulso continue pelo menos até o encerramento do suporte ao Windows 10. Segundo estimativas de consultorias de mercado, centenas de milhões de dispositivos ainda executam o sistema operacional lançado em 2015, criando um potencial de atualização significativo nos próximos 18 meses.
Indicadores financeiros permanecem sob controle
Mesmo com a pressão de custos logísticos e componentes de nova geração, a HP manteve margem operacional estável e reforçou a previsão anual de geração de fluxo de caixa livre entre US$ 3,1 bilhões e US$ 3,6 bilhões. A companhia reiterou o compromisso de retorno aos acionistas por meio de recompras de ações e dividendos.
A administração não divulgou números específicos sobre participação de PCs com IA no total de vendas, mas afirmou que a categoria já representa parcela “relevante” dos embarques corporativos. A expectativa é de que a participação cresça à medida que novos modelos equipados com processadores de última geração cheguem ao mercado até o fim do ano fiscal.
Analistas observam que a HP se posiciona para capturar o ciclo de renovação de hardware apoiado em IA, ao mesmo tempo em que adapta sua cadeia produtiva para reduzir riscos externos. Caso a tendência de adoção se confirme, a empresa poderá consolidar ganhos de receita e margem nos próximos trimestres.