O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou a população do país em 213,4 milhões de pessoas em 1.º de julho de 2025. O número, publicado no Diário Oficial da União, representa alta de 0,39 % em relação a 2024, quando o contingente era calculado em 212,6 milhões. A variação confirma a tendência de desaceleração observada nos últimos anos: em 2023, o avanço havia sido de 0,42 %, enquanto, em 2005, chegava a 1,1 %.
Crescimento demográfico desacelera pelo quarto ano seguido
Segundo o gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do instituto, Marcio Minamiguchi, a redução do ritmo está associada a mudanças estruturais, como a queda da fecundidade e o envelhecimento da população. As projeções atualizadas em 2024 indicam que o país deve alcançar o pico de 220,43 milhões de habitantes em 2041. A partir de 2042, o total tende a recuar, podendo ficar abaixo de 200 milhões em 2070.
Entre os 5.571 municípios brasileiros, 2.079 (37,3 %) perderam moradores em 2025. Outros 122 (2,2 %) registraram crescimento igual ou superior a 2 %. A lista de municípios passou a incluir Boa Esperança do Norte, em Mato Grosso, que teve a população inaugural estimada em 5.877 habitantes.
Grandes centros concentram 20 % da população nacional
O levantamento mostra 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes, dos quais 13 são capitais estaduais. Juntos, esses grandes centros somam 42,8 milhões de pessoas, o equivalente a 20,1 % do total do país. São Paulo lidera com 11,9 milhões de moradores, seguida por Rio de Janeiro (6,7 milhões) e Brasília (3 milhões). Guarulhos (1,35 milhão) e Campinas (1,19 milhão), ambas em São Paulo, são as únicas cidades não capitais nesse grupo.
No extremo oposto, quatro municípios têm menos de mil moradores: Serra da Saudade (MG) com 856 habitantes, Anhanguera (GO) com 913, Borá (SP) com 932 e Araguainha (MT) com 997.
Capitais mostram sinais de perda de habitantes
As 27 capitais reúnem 49,3 milhões de pessoas, ou 23,1 % de toda a população brasileira. Boa Vista apresentou a maior expansão relativa entre 2024 e 2025, com 3,26 %. O IBGE associa o aumento à migração vinda da Venezuela. Na sequência aparecem Florianópolis (1,93 %), Palmas (1,51 %) e Cuiabá (1,31 %).

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Por outro lado, cinco capitais encolheram no período: Salvador (-0,18 %), Natal (-0,14 %), Belém (-0,09 %), Porto Alegre (-0,04 %) e Belo Horizonte (-0,02 %). De acordo com o instituto, parte dessa redução resulta da transferência de moradores para municípios vizinhos dentro das mesmas regiões metropolitanas.
São Paulo mantém maior contingente; Roraima tem o menor
Com 46,1 milhões de habitantes, o estado de São Paulo permanece como o mais populoso, concentrando 21,6 % da população nacional — aproximadamente uma em cada cinco pessoas no país. Minas Gerais aparece em segundo lugar com 21,4 milhões, seguido por Rio de Janeiro (17,2 milhões) e Bahia (14,9 milhões).
Na outra ponta, Roraima registra o menor contingente estadual, com 738,8 mil habitantes. Amapá (806,5 mil) e Acre (884,4 mil) também têm menos de 1 milhão de moradores, ambos localizados na região Norte.
As estimativas populacionais do IBGE são usadas pelo Tribunal de Contas da União no cálculo dos fundos de participação de estados e municípios e servem de referência para a formulação de indicadores sociais, económicos e demográficos. O próximo censo está previsto para 2032, mas as atualizações anuais continuarão a orientar políticas públicas e projeções de longo prazo.