Polícia prende idoso em SC por adesivo com suástica nazista no carro

Um homem de 70 anos foi detido em flagrante pela Polícia Militar de Santa Catarina por manter um adesivo com a suástica nazista no vidro traseiro do próprio carro, estacionado em via pública na cidade de Araranguá, sul do estado. O símbolo era acompanhado da frase “Brasil Guerra Civil já”. A ação policial ocorreu depois de moradores denunciarem a presença do veículo com a imagem nazista.

Denúncia levou PM até o veículo

Segundo o relato da Polícia Militar, populares observaram que o automóvel circulava pela região exibindo o símbolo nazista e decidiram acionar o número de emergência. Quando a equipa policial chegou ao local indicado, o carro estava estacionado, trancado e sem ocupantes.

Os agentes confirmaram a existência do adesivo com a suástica e preservaram a área até identificar o proprietário. Após diligências, a corporação localizou o suspeito, que admitiu ter encomendado e aplicado o adesivo por conta própria. De acordo com o delegado Adriel Alves, responsável pela ocorrência, o homem contou ter sido alertado por familiares sobre possíveis consequências legais, mas optou por manter a inscrição no veículo.

Prisão em flagrante e enquadramento legal

O idoso foi encaminhado à delegacia de Araranguá, onde recebeu voz de prisão pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo. A conduta está prevista na Lei n.º 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, que criminaliza a fabricação, divulgação ou exibição de símbolos ligados ao regime nazista quando existe intento de promover essa ideologia. A infração é inafiançável.

Na delegacia, o detido confirmou a propriedade do veículo e o ato de colar os adesivos, mas não apresentou motivação clara durante o interrogatório. A polícia apreendeu o carro como parte do procedimento investigativo e coletou imagens do adesivo para o inquérito.

Próximos passos judiciais

O homem seguirá para audiência de custódia, que deve ocorrer ainda nesta terça-feira, quando a Justiça avaliará a legalidade da prisão e a eventual necessidade de medidas cautelares. Até o momento, a identidade do suspeito não foi divulgada. Caso seja denunciado pelo Ministério Público e condenado, ele pode enfrentar penas que variam de reclusão a multa, conforme os artigos 20 e 41 da Lei do Racismo.

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Imagem: Internet

Contexto jurídico e histórico

O ordenamento brasileiro considera crime qualquer ato de difusão de ideias nazistas ou de exibição de seus símbolos, entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. A legislação busca coibir manifestações que possam incentivar discriminação racial ou ódio. Diversas ocorrências semelhantes já geraram prisões em diferentes estados nos últimos anos, reforçando o posicionamento de tolerância zero a apologias ao nazismo.

Símbolos como a suástica têm origem no Partido Nacional-Socialista alemão e foram amplamente utilizados durante o Terceiro Reich. O uso contemporâneo do emblema costuma estar associado a movimentos de supremacia branca e grupos extremistas, o que motivou a criação de normas específicas para puni-los em vários países, incluindo o Brasil.

Reação da comunidade

Moradores que presenciaram o veículo relataram à polícia desconforto e preocupação com possível incitamento ao ódio. A atuação rápida dos agentes evitou, segundo a corporação, eventual repercussão negativa maior na cidade. O caso reacende o debate sobre a importância da denúncia de símbolos que promovam discursos discriminatórios e reforça o papel da sociedade civil na fiscalização desse tipo de conduta.

A polícia informou que seguirá acompanhando o processo judicial e que o automóvel permanecerá apreendido até decisão definitiva. A defesa do suspeito não se manifestou até o momento.

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