Um incêndio atingiu a comunidade do Dique da Vila Gilda, na zona noroeste de Santos (SP), na noite de terça-feira, 27 de janeiro, por volta das 21h. As chamas destruíram entre seis e sete barracos de madeira em uma área aproximada de 300 metros quadrados. Não houve mortos nem feridos, segundo o Corpo de Bombeiros.
Resposta rápida evitou propagação das chamas
Para controlar o fogo, 30 bombeiros foram deslocados ao local com viaturas de combate e apoio de caminhões-pipa. Moradores também colaboraram, formando filas para transportar baldes de água e ajudar na remoção de objetos das residências vizinhas.
O prefeito de Santos, Rogério Santos, agradeceu publicamente o trabalho conjunto entre agentes de segurança e moradores, destacando que a atuação solidária da comunidade contribuiu para impedir que o incêndio se alastrasse por áreas vizinhas de palafitas.
Após o rescaldo, equipes de Defesa Civil e Assistência Social iniciaram o levantamento dos danos materiais e a identificação das famílias que perderam bens ou documentos. As informações servirão de base para a oferta de auxílio emergencial, quando necessário.
Comunidade já enfrentou ocorrências graves
Com população estimada em 25 mil pessoas, o Dique da Vila Gilda convive com construções sobre palafitas e condições de moradia consideradas vulneráveis. Em 2025 ocorreram dois incêndios de grandes proporções na mesma região. O mais severo, em agosto, destruiu cerca de 100 moradias, provocou uma morte e afetou 331 famílias. Na época, 33 núcleos familiares precisaram de abrigo temporário fornecido pelo município.
A sucessão de episódios reacendeu o debate sobre segurança estrutural, ligações elétricas irregulares e acesso a serviços básicos. Lideranças locais reivindicam soluções definitivas, como a remoção gradual de moradias em áreas de risco e a construção de habitações de alvenaria em terrenos regularizados.
Etapas de reurbanização e regularização fundiária
Em outubro passado, a prefeitura de Santos firmou um contrato de cooperação técnica com o governo federal para avançar na regularização fundiária de áreas pertencentes à União dentro do Dique. O acordo visa viabilizar saneamento básico, rede elétrica adequada e abertura de vias, etapas consideradas essenciais para reduzir riscos de incêndio e enchentes.
Imagem: Últimas Notícias
O próximo passo estipulado é a criação de um comitê gestor formado por representantes municipais e federais. Esse grupo deve elaborar o plano de trabalho e detalhar cronogramas, com prioridade para obras de infraestrutura e reassentamento de famílias que vivem em zonas de maior vulnerabilidade.
Entre os projetos já anunciados está o Parque Palafitas, que prevê unidades habitacionais de madeira com painéis pré-moldados instaladas sobre 212 estacas de concreto. O custo estimado é de R$ 29 milhões. Além disso, o município planeia erguer 60 novas moradias modulares na comunidade, orçadas em R$ 22 milhões.
As iniciativas fazem parte de um programa de reurbanização mais amplo, que contempla cerca de 4.600 imóveis distribuídos em diferentes trechos do dique. Autoridades municipais afirmam que a conclusão das obras reduzirá a exposição de moradores a incêndios, pois substituirá as atuais estruturas de madeira por construções em material menos inflamável e com instalações elétricas padronizadas.
Enquanto os projetos avançam, a Defesa Civil mantém monitoramento permanente na região, especialmente durante períodos de forte calor ou tempo seco, quando o risco de fogo acidental aumenta. A corporação recomenda que os moradores instalem disjuntores adequados, evitem ligações clandestinas e mantenham extintores ou baldes de areia em pontos estratégicos.
O Corpo de Bombeiros ainda investiga as causas do incêndio desta terça-feira. Testemunhas relataram ter ouvido estalos na fiação elétrica momentos antes do início das chamas, hipótese que será analisada pela perícia. Relatórios preliminares deverão ser encaminhados às autoridades competentes nos próximos dias.





